terça-feira, 22 de maio de 2018

Jaguarito Holmes


Bento era cachorro de rua na criação. Só depois de grande fora que a dona Sophia o encontrara, se fizera amiga demais dele. Vivia com ela desde que seus pelegos ainda eram completo preto.

Sophia era gente como um filhote de passarinho, então Bento se via cuidando dela noite e dia. Quando saia na rua, com a sua bengalinha, Bento nos calcanhares.

Naquele dia, os dois iam pela calçada. Era dia de comprar guloseimas, Bento sentia o cheiro das promessas de delícia. A dona Sophia ia no seu passo mindinho, ele trotava ao lado.

Foi então que um som bem alto alvoroçou o cão. Aconteceu tão rápido! Num instantinho de latido, tinham sacudido dona Sophia e arrancado dela a parte quadrada que ela usava debaixo do braço.

Com as posses em mão, partiram naqueles burricos de metal barulhentos e Bento foi atrás latindo, mas não fez descoberta. Voltou, correu.

Pessoas cercavam vovó Sophia, o carro de luzes brilhantes veio e levou-a. Bento ficou. Não podia entrar cachorro no iluminado.

Dona Sophia voltava? Entristeceu pensando se não. Não lembrava mais de viver sem ela. Era solidão.
Fungou o cheiro do burro de metal. Ia lá pegar de volta o pedacinho roubado da dona. Quem sabe assim voltava.

Seguiu pelas ruas um Bentinho Holmes, jaguarinha de capote de pelo preto e orelhas em pé. Nariz lupa, vasculhando os recantos até chegar numa rua bem vazia.

Num chão de terra, jazia o que buscava. Do burro de metal e dos seus donos, nem sinal. Catou na boca o achado, partiu pra casa, sentou na frente, posudo.

Quando Dona Sophia veio, no carro cheio de luzes, ela admirou. Fez festa tanta, que ele começou a rodear o rabo. Os donos do carro de luz também festaram junto.

 E dias depois, no jornalzinho local, se contava a história do guaipeca que recuperara a bolsa da dona, sem o dinheiro, que tinha sido roubado, mas com todos os documentos. Os bandidos acabaram pegos pouco depois, quando fizeram novo assalto.

Bento, o cão, segue feliz com Dona Sophia, sem preocupação outra no coração que não seja manter o amor de sua frágil humana de estimação.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Maratonas...

Olá, pessoas.

No próximo final de semana, terei duas maratonas literárias começando. 

CORUJANDROSS



O Corujandross é uma maratona de escrita organizada pela Editora Andross. Participei da primeira edição da maratona e agora pretendo participar novamente desta que será a quarta edição do evento. A maratona acontecerá das 23h do dia 19 às 6h do dia 20 de maio.

Provavelmente, me atrasarei um pouquinho no início, porque tenho outros compromissos nesse dia, mas a intenção é estender o tempo de escrita, caso isso aconteça. Por enquanto, minha intenção é trabalhar no meu livro, mas nada impede que uma ideia de conto renda uma história e, quem sabe, mais uma publicação...

MARATONA LITERÁRIA DE OUTONO DO GEEK FREAK



Entre os dias 19/08 e 02/06, acontecerá a Maratona Literária de Outono do canal Geek Freak, que este ano substituirá a Maratona de Inverno tradicional do canal. Decidi participar, apesar de prever que não vou conseguir ler taaanto assim, já que não estarei em férias, como acontece no período da maratona de Inverno. 

Optei por não cumprir os desafios de TBR, então montarei minha lista de leitura de acordo com as leituras que estou fazendo ou quero começar (sim, ainda não montei TBR...Estava esperando que chegasse meu pedido mais recente da Amazon, mas pelo visto, terei que começar outras leituras). 

Para saber mais sobre a maratona, veja o vídeo de apresentação do canal. 



Vocês podem acompanhar meu progresso nas duas maratonas pelo meu perfil no Instagram (@nicolesiebel), no qual postarei fotinhos e stories das duas maratonas. 

quinta-feira, 17 de maio de 2018

CON(TEXTUALIZANDO) - Coesão textual



Estou retomando, depois de uma longa pausa, a coluna Con(textualizando), que é um espaço para falar de alguns conceitos importantes dentro da produção textual. São conceitos que, como professora e acadêmica formada em Letras, eu pesquisei e estudei. O objetivo da coluna é apresentar conceitos teóricos de uma forma mais simples e direta, para ajudar quem estuda o tema, ou escritores e curiosos. 

Já escrevi anteriormente sobre: 



Hoje, tratarei da coesão textual. 

COESÃO TEXTUAL

"Boa sorte com a segunda sentença".


Como um texto não é uma simples sequência de frases, ele precisa seguir uma ordem lógica e também respeitar certas formalidades da língua. Os processos de coesão textual são os aspectos gramaticais, formais e superficiais da construção de um texto. Explicando de uma forma mais simplificada, podemos considerar que a coesão do texto são os recursos gramaticais e ortográficos que utilizamos para escrever o texto. 

Marcuschi (2008), considera a coesão dispensável para a textualidade, porém, não irrelevante. Para explicar essa consideração, vou usar alguns exemplos. Observe a imagem abaixo. 

Resultado de imagem para erros ortográficos

O texto contido na imagem não respeita as normas formais da gramática, pois ocorre erro ortográfico e também falta pontuação na segunda frase. Porém, mesmo com esses problemas, é possível entender a mensagem. Logo, a textualidade da informação se mantém. 
Por outro lado, textos em que pronomes, sinônimos, conjunções e outros recursos gramaticais são usados de forma incorreta transformarão o enunciado em algo ininteligível. Vejamos outro exemplo: 

Fizeram um pique-nique onde comeram sanduíches e batatas. Eles estavam aquecidos. Terminaram rápido. 

Nesse pequeno texto, ocorrem erros de referência que podem gerar duplo sentido. Vamos analisar as expressões destacadas. 
  • Onde está empregado de forma incorreta, pois só pode retomar lugares e nesse caso, estaria retomando o "pique-nique", um evento. O correto seria usar a expressão "em que" ou "no qual".
  • Eles se refere a quem: as pessoas que fizeram o pique-nique ou os sanduíches? Pelo contexto da frase, poderia ser qualquer um dos dois... O mesmo critério é válido para o verbo terminaram. 

Então, para ser compreendido, nem sempre um texto precisa estar 100% de acordo com a norma culta, porém, ao respeitar o uso de elementos gramaticais do texto, o autor dele estará produzindo um material com maior possibilidade de ser compreendido. Conhecer e aplicar corretamente as normas da nossa língua permite que nos expressemos com clareza. Claro que ninguém sabe de tudo e temos um sistema linguístico complexo, mas não custa nada se esforçar para usar a língua da forma mais correta possível quando escrevemos. Assim, construímos textos com sentido e clareza para nossos leitores.

REFERÊNCIAS: 

ADAM, J.M. A linguística textual: introdução à análise textual dos discursos. 2ªed. São Paulo:
Cortez, 2011.
MARCUSCHI, L.A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 3ª ed. São Paulo:
Parábola Editorial, 2008.

*Imagens de autoria de Charles Schultz.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Por veredas livremente literárias (ou porque ler)



O texto a seguir foi pensado inicialmente como um exemplo para uma produção textual que pedi aos meus alunos. A ideia era que eles escrevessem uma redação defendendo os livros e a leitura, porque estamos lendo Fahrenheit 451, livro distópico que retrata uma sociedade extremista que baniu os livros. Junto com a argumentação, eles deviam usar um livro de literatura para justificar algum dos argumentos. Fiz o exemplo para demonstrar como o exemplo podia ser incluído no texto, mas gostei tanto que  decidi compartilhá-lo aqui também. :) 

***

Por veredas livremente literárias
(ou porque ler)

Escolha ... A escolha é tudo. A percepção de que nós temos a escolha em cada situação unica de vida e de responder, é o empoderamento ao mais alto nível. Escolhendo a partir de uma tela em branco o que queremos criar,é ainda mais capacitação, e se eu tenho um desejo de novo ano para a humanidade, esse é que tudo o que venhamos a apreciar , seja o incrível amor e bondade que todos nós somos capazes de gerar e transmitir. Bênçãos de Paz. Jornada para o Equilibrio



Contar histórias é uma atividade tão humana e tão antiga que remonta aos tempos anteriores ao registro escrito. Sabemos que nossos ancestrais contavam histórias, das quais temos registro até hoje, que buscavam explicar fenômenos do mundo. Com o avanço científico e tecnológico, muito daquilo que os mitos e lendas antigas tentavam esclarecer foi explicado de forma racional. No entanto, não perdemos o hábito, nem a necessidade, de ouvir e contar histórias. 

Se a ficção não nos explica mais os fenômenos naturais, existem outras questões do mundo que só ela tem poder de ensinar. Os livros, repositório do conhecimento humano de séculos, nos apresentam a trajetória do pensar, como um compilado histórico das ideias que já foram adotadas pelos diferentes povos. Por meio deles, nos deparamos com temáticas atemporais, assuntos que sempre preocuparam a humanidade, como a morte e os sentimentos. Para além do que é racional, esses temas ainda hoje nos desacomodam, pairam sobre nós e precisam ser decifrados. No tecido de palavras das narrativas e poemas, encontramos matéria para resolver nossos medos e dúvidas inconscientes, nos deparamos com nossos sentimentos mais profundos. Prova disso é que autores tão antigos quando Homero ainda são lidos, apreciados, destrinchados. Mortos há séculos, continuam nos dizendo muito sobre quem somos nós, agora. 

Muito mais do que resolver nossos próprios conflitos, a literatura nos permite olhar o outro, exercitar a empatia. Nos tempos de discurso de ódio e extremismo em que estamos, tal movimento é essencial. Tanto histórias atuais quanto antigas podem nos transportar para a visão de outros, mas, para ilustrar esse movimento, poucas obras são tão ricas quanto a de Guimarães Rosa, autor mineiro que soube como ninguém reinventar a linguagem. Em seu Grande sertão: veredas, o autor nos coloca na pele de Riobaldo, um ex-jagunço, que narra suas aventuras, seu amor reprimido por seu amigo Diadorim e sua relação com a espiritualidade. O leitor sente-se o próprio Riobaldo durante a leitura. E sente-se também gado manso do Sertão, Diadorim, Joca Ramiro e muitos outros. O livro tem o poder de nos dar a visão de terceiros sobre o mundo, de compreender que nossa percepção do mundo não é a mesma que a dos outros. 

Os livros são a forma que encontramos de levar adiante nossas histórias. Pouca diferença faz se são feitos de papel, ou se podemos acessá-los em uma biblioteca digital. Sua matéria-prima real são as palavras e o sentimento humano. Eles são a ferramenta mais eficaz para termos conhecimento do mundo, assim como criticidade para entender as situações. Ensinam-nos a pensar de formas diferentes, mostram que o mundo nem sempre é perfeito, fazem sentir dores, amores e viver situações que nunca poderíamos experimentar na vida real. Com isso, instrumentalizam para encarar a realidade de forma crítica, questionando e pensando sobre os fatos do mundo. 

É fato que o papel do livro enquanto construtor do ser humano e formador de seres pensantes incomoda aqueles que desejam que a população permaneça ignorante. Afinal, quem não tem conhecimento de si mesmo, do mundo, nem consegue ver uma situação de diferentes pontos de vista, pode ser facilmente manipulado a acreditar em toda a informação que recebe como verdade absoluta. Por isso, governos extremistas, ditadores e pessoas desejosas de poder caçam livros e leituras, assim como as outras possibilidades de estimular o pensamento. Em nossos tempos, de discursos de ódio numerosos e extremismos, os livros são mais necessários do que nunca. A leitura, nesse mundo que tanto busca nos direcionar, é um exercício que possibilita, mais do que o pensamento crítico, a liberdade maior de ser quem quisermos ser.

domingo, 11 de março de 2018

Projetos para 2018



Tá bem, eu sei que já passou aquele período do ano em que as pessoas fazem resoluções para o restante do ano, mas a gente tem o direito de planejar o futuro quando bem entender, não é verdade? O começo deste ano me fez ruminar muito sobre alguns dos meus projetos. Era fato que eu não conseguiria manter todos eles atualizados, então precisei pesar um pouco as coisas e decidir como manter minha sanidade em meio a trabalho, casa e outras coisas que eu gostaria de fazer. 

Por conta disso, decidi me retirar do Enlaces Literários, do qual participava desde 2014. Foi uma delícia participar do projeto e tive a oportunidade de escrever textos dos quais gostei muito graças ao blog. No entanto, a dinâmica dele estava se tornando inviável pra mim, por conta de compromissos pessoais e de trabalho. Me despeço cheia de alegria por ter tido chance de participar e torço para o projeto continuar lindo e cheio de textos bacanas. Meu último texto por lá foi Trem fantasma

Também organizei tudo para voltar a publicar semanalmente minhas resenhas no Portal 42, porque já fazia um tempo que estava parada por lá! Retomei as postagens na semana passada (com a resenha de Deuses Americanos) e espero manter a periodicidade. 

Outra intenção é finalizar de uma vez o meu romance (a escrita dele por si só já está uma novela de enrolação, afinal) e pensar sobre a melhor forma de publicá-lo. Parte da minha resolução sobre os projetos de 2018 foi por conta disso, quero dedicar mais energia a essa história para conclui-la. 

Já tenho uma publicação planejada, também, em um livro que reunirá texto de autoria de autoras do Vale do Paranhana, região do Rio Grande do Sul em que eu moro (a foto que ilustra o post foi feita para o projeto pela escritora e fotógrafa Ana Cláudia Sá). Esse livro será muito especial, por reunir o trabalho de pessoas muito queridas e talentosas, então estou muito feliz e orgulhosa de poder fazer parte disso. 

Por fim, em relação às minhas leituras, planejo fazer novas maratonas para ler ainda mais do que no ano anterior. A próxima deve ser na Páscoa, quando terei um feriadinho. 

E, claro, vou tentar manter esse cantinho atualizado (mas nada impede que ocorram meus habituais sumiços... hehe). Não desistirei. :) 

Até a próxima!