quinta-feira, 11 de junho de 2015

(CON)TEXTUALIZANDO - Coerência textual




Hoje darei continuidade à série de postagens sobre conceitos relacionados ao texto e produção textual. Anteriormente, apresentei o conceito teórico de texto, assim como os elementos que tornam um enunciado um texto.

Destaquei que existe um fator chamado textualidade, que nos permite identificar um texto como tal. A textualidade nada mais é do que a propriedade que faz com que o leitor identifique que uma série de palavras no papel está interligada de maneira lógica e a coerência é o que dá origem a ela.

Ao ler um texto, o leitor procura por um significado e espera inconscientemente que haja determinadas ordenações que lhe proporcionem compreensão e que tornem o texto como um todo significativo. Assim, um dos elementos mais importantes da coerência é manter a ordem temporal e condicional entre eventos, situando corretamente o leitor.

Logo, a coerência nada mais é do que a propriedade que dá lógica ao escrito. Um texto será coerente quando seu conteúdo puder ser compreendido pelo leitor.

Van Dijk (2002, p. 45) afirma que “as relações de coerência conectam sentenças ou proposições como conjuntos e não somente os elementos das proposições”. Essas conexões podem ser feitas de acordo com a ordenação das sentenças dentro do texto e com o auxílio dos chamados conectores de texto, ou articuladores, palavras que servem como ligações entre as ideias expressas em um texto. Koch e Travaglia (2005) afirmam que o mau uso dos conectores e de outros elementos estruturais do texto pode dificultar a compreensão do leitor e que ao extrapolar esses erros, o texto pode se tornar incoerente a nível global. Isso significa que, ao não utilizar os articuladores textuais ou ao usá-los da maneira errada, um autor pode comprometer toda a significação do seu escrito. Resumindo ainda mais essa ideia, esses autores afirmam que muitas vezes um texto se torna incoerente porque seu autor não utilizou os recursos gramaticais corretamente.

Um texto será tido como coerente, portanto, quando seu leitor conseguir encontrar sentido no que lê e será considerado incoerente quando “o receptor (leitor ou ouvinte) não consegue descobrir qualquer continuidade de sentido, seja pela discrepância entre os conhecimentos ativados, seja pela inadequação entre esses conhecimentos e o seu universo cognitivo” (KOCH; TRAVAGLIA, 2005, p.32).

Entretanto, Koch e Travaglia (2005) afirmam que nenhum texto é inteiramente incoerente, mas que passa a ser incoerente em determinada situação comunicativa. Os autores comentam essa informação, salientando que “[...] a coerência não está apenas no texto nem só nos usuários, mas no processo que coloca texto e usuário em relação, numa situação” (KOCH; TRAVAGLIA, 2005, p. 40).

Ou seja, para dizer que um texto é coerente, ele deve estar também adequado à sua intenção. Há alguns fatores importantes para a construção da coerência e que estão listados abaixo. Eles podem parecer óbvios e auto-explicativos, mas é interessante sempre levá-los em conta na hora de produzir um texto, para que ocorra produção de sentido. 

 

FATORES QUE DETERMINAM A COERÊNCIA: 


  • Fatores linguísticos (adequação do texto á norma da língua). 
  • Conhecimento de mundo do leitor.
  • Conhecimento partilhado entre autor e leitor (alguns conhecimentos precisam ser comuns entre os dois para que ocorra o entendimento do que é comunicado). 
  • Inferência (relações que são estabelecidas entre elementos do texto de uma forma não explícita). 
  • Situacionalidade (adequação do texto à situação comunicativa). 
  • Intencionalidade (intenção do autor). 
  • Aceitabilidade (aceitação do leitor). 
  • Informatividade (apresentação de informações novas ao leitor no texto). 
  • Focalização (um texto deve ter foco). 
  • Intertextualidade (referências ou relações que um texto faz com outros textos ou obras).

REFERÊNCIAS: 

KOCH, I.G.V.; TRAVAGLIA, L.C. Texto e coerência. 10ª ed. São Paulo: Cortez, 2005.

VAN DIJK, T.A. Cognição, discurso e interação. 4ª ed. São Paulo: Contexto, 2002.

IMAGEM: Snoopy, por Schultz, retirada daqui.
 

*Esse texto foi adaptado por mim de um material que produzi para a fundamentação teórica de uma pesquisa intitulada"ANÁLISE DA COMPETÊNCIA ESCRITA DOS ALUNOS INGRESSANTES NOS CURSOS SUPERIORES DAS FACULDADES INTEGRADAS DE TAQUARA", que foi realizada sob a orientação da Prof. Me. Rafaela Janice Boeff de Vargas. O link do texto pode der divulgado, contanto que sejam conferidos os devidos créditos. Lembrem-se: plágio é crime!

NA PRÓXIMA POSTAGEM falarei sobre COESÃO. Não vou especificar um prazo para a postagem, mas espero disponibilizar o material em breve. Enquanto isso, se você quiser complementar, me dar sugestões ou pedir algum tema específico para as postagens dessa coluna, basta deixar um comentário! 

3 comentários:

Philippe Alencar disse...

Utilidade pública! hahahah
Muito boa a postagem, com certeza será de grande ajuda a muitas pessoas.

HONORATO, Sandro disse...

Boa tarde,
Como vai?
Bacana seu post, acho que é util para todos nós :)

Desculpa,sei que to ausente do blog :(
Beijos e se cuida


www.rimasdopreto.com

Isie Fernandes disse...

Muito bom, Nick! Tô amando essa série. :)

Beijos,

Isie Fernandes