segunda-feira, 4 de maio de 2015

(CON)TEXTUALIZANDO - Afinal, qual é o conceito de texto?



Olá, pessoal. Como vocês estão?

Hoje darei início a uma série de postagens sobre conceitos teóricos que envolvem o texto, a coerência, a coesão, gêneros e tipos textuais. Dá vontade de fugir só de ouvir falar nesses nomes? Não entrem em pânico! O objetivo dessas postagens é justamente esclarecer algumas coisas sobre esses temas que nem são tão complicados e que são bem importantes para quem lê e escreve.

Para que os conceitos fiquem claros, vou tentar seguir uma ordem de postagens que siga do conceito mais básico para os mais complexos. Assim, minha primeira postagem será sobre a conceituação de texto.

Ok, agora você que me lê pode estar pensando: "caramba, eu não estou na primeira série... Sei o que é um texto!". No entanto, é importante, ao estudar recursos de construção do texto, entender um pouco do que os teóricos dizem a respeito dele, pois pode ser que a nossa apreensão do que é um texto não seja a mais completa.

Para as minhas considerações, vou usar como base as teorias de Marcushi (2008), de acordo com a referência no final do post. Quem tiver curiosidade, pode procurar o livro que utilizei e conferir o que mais o autor fala sobre o conceito.

O texto nada mais é do que um evento comunicativo. Nele, se reúnem ações da língua, da cognição e do social. O texto é a, na verdade, a língua em funcionamento.

E, apesar de um texto não ter regras fixas que o definam como tal, ele não pode ser um conjunto aleatório de frases e depende da relação leitor/escritor para fazer sentido. Produzir um texto não é uma atividade individual do escritor e sim uma ação conjunta entre quem escreve e quem lê. A partir dessa suposição, o autor tem em mente para quem está escrevendo aquele texto, ou seja, sabe qual será o público do seu escrito. Logo, considera-se que quando se vai produzir um texto, há uma série de escolhas disponíveis e o autor selecionará aquela que for mais adequada ao que ele quer dizer.

Continuando essa linha de raciocínio, podemos concluir que a linguagem é primordial para a construção de um texto, mas não é o único elemento importante para isso, nem o único fator a ser considerado para interpretá-lo.

Não se pode produzir nem entender um texto considerando apenas a linguagem. O nicho significativo do texto (e da própria língua) é a cultura, a história e a sociedade. Essa inserção pode dar-se de diversas formas e por isso um texto pode ter várias interpretações, embora não inúmeras nem infinitas. Mas mesmo essas várias interpretações devem ser coerentes entre si e com isso não podem ser incompatíveis (MARCUSCHI, 2008, p.87-88).

Isso significa que a compreensão de um texto vai além da escrita de acordo com as normas ortográficas corretas da língua culta, pois depende do conhecimento do leitor sobre aquilo que está sendo enunciado e da própria progressão de informações no texto.



Outro fator que não determina a classificação de um escrito como texto é o tamanho, já que “o texto é a unidade máxima de funcionamento da língua” (MARCUSCHI, 2008, p.88), mas não representa uma unidade formal ou focada apenas na estrutura, e sim uma unidade funcional. Assim, pouco importa se um texto será composto por uma única palavra ou por vários parágrafos, porque um texto dependerá, para ser classificado como texto, de fatores como “discursividade, inteligibilidade e articulação que ele põe em andamento” (MARCUSCHI, 2008, p.89).

Mas então... Como eu posso definir se um escrito é, ou não, considerado um texto? Existe um fator chamado textualidade, que é o que nos auxiliará a definir se um escrito pode, ou não ser considerado um texto. E ela parte das seguintes premissas:

  • o texto é um evento comunicativo e discursivo; 
  • um texto é considerado como tal quando se situa num contexto sociointerativo e preenche determinadas condições do ato comunicativo em questão, ou seja, quando está adequado ao contexto, momento, local e situação em que está sendo produzido, além de estar adequado ao público; 
  • uma sequência de enunciados será classificada como um texto quando oferecer interpretabilidade e quando seu leitor tiver alguma experiência sociocomunicativa que o torne relevante, isso é, quando for possível interpretar o que está escrito e quando o leitor puder identificar informações que lhe digam respeito, que possam ser compreendidas e que sejam relevantes. 

Para esclarecer esse ponto e tornar mais fácil o entendimento das questões da textualidade, Marcuschi (2008, p.90) afirma que “dada configuração linguística funciona como um texto quando consegue produzir efeitos de sentido, coerência etc., do contrário, não é um texto”.

Se uma configuração linguística não pode ser entendida como texto por uma comunidade ou por algumas pessoas, ocorreram falhas no que diz respeito à produção de sentido. Por isso, quando se ensina a lidar com texto, é necessário que se ensine “operações discursivas de produção de sentidos dentro de uma dada cultura com determinados gêneros como uma forma de ação linguística”, como define Marcuschi (2008, p. 90).

Conhecer os aspectos culturais do contexto em que o enunciado se encontra e ter domínio da língua são aspectos da textualidade.

Resumindo, portanto, o texto é uma forma funcional da língua, uma aplicação dada à ela, e depende dos envolvidos no processo comunicativo para fazer sentido. Apesar de a linguagem ser importante em um texto, o principal fator a ser considerado numa produção textual é seu sucesso comunicativo, ou seja, se no texto o autor conseguiu dizer o que queria e ser compreendido.

Só essa definição já deu pano pra manga, neh?! Na próxima postagem comentarei a coerência e os fatores principais da textualidade. Enquanto isso, vocês podem me dizer o que acharam da postagem e complementar com o conhecimento de vocês nos comentários. Fiquem à vontade para comentar, indicar outros teóricos ou textos que vocês conheçam ou deixar dúvidas que gostariam de ver respondidas nessa coluna.


REFERÊNCIA: MARCUSCHI, L.A. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. 3ª ed. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.

IMAGENS: Snoopy, por Schultz, retiradas daqui e daqui.

*Esse texto foi adaptado por mim de um material que produzi para a fundamentação teórica de uma pesquisa intitulada"ANÁLISE DA COMPETÊNCIA ESCRITA DOS ALUNOS INGRESSANTES NOS CURSOS SUPERIORES DAS FACULDADES INTEGRADAS DE TAQUARA", que foi realizada sob a orientação da Prof. Me. Rafaela Janice Boeff de Vargas. O link do texto pode der divulgado, contanto que sejam conferidos os devidos créditos. Lembrem-se: plágio é crime! 

Um comentário:

Isie Fernandes disse...

Oi, Nick.

Olha só, quem é um vivo um dia aparece. Hahaha! Apareci.

Legal a sua proposta. Gostei da coluna e quero acompanhá-la. Acho que a gente, em geral, tem uma ideia prática sobre o assunto, mas é muito bom saber as definições também. E o Texto ficou ótimo! =)

Beijos,

Isie Fernandes - de Dai para Isie