quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

A 5ª Onda



TÍTULO: A 5ª Onda
AUTOR: Rick Yancey
EDITORA: Fundamento

Não sou uma leitora tão assídua assim de ficção científica, mas tenho tido sorte com esse gênero, porque todas as vezes em que resolvi ler algum título dele, encontrei boas leituras. Foi o caso de A 5ª Onda, que eu visualizei na estante da livraria e me chamou a atenção.

À primeira vista, julguei que fosse um livro sobre apocalipse zumbi (um assunto que está na moda em termos literários), por causa da imagem da capa, sombria e com uma menina sozinha em meio às árvores, observando uma cidade aparentemente abandonada. Mas, ao ler a sinopse atrás do livro, fui surpreendida por algo diferente. E foi aí que decidi encarar essa leitura.

O livro é contado sob a perspectiva de diversos personagens, sendo que cada bloco é narrado por um deles.

No começo, Cassiopeia (Cassie) nos conta como começou a invasão alienígena, através de diversas agressões ou ondas, e como isso dizimou sua família e gerou uma promessa feita a seu irmão mais novo, Sammy, que foi levado para um local seguro junto com as outras crianças.

Em seguida, somos apresentados a outra vítima do ataque que foi resgatada e se encontra numa base militar e ao Silenciador, uma espécie de caçador de humanos. E na sequência temos também as impressões de Sammy sobre deixar a irmã mais velha para ir para o abrigo.

À medida que a narrativa vai evoluindo, o leitor vai descobrindo como esses personagens estão relacionados enquanto surge uma curiosidade cada vez maior a respeito do próximo passo dos alienígenas para destruir a humanidade, assim como qual a motivação para o ataque, questões referentes à aparência dos invasores e até que ponto eles estariam infiltrados entre a raça humana.

Quando comecei a leitura, não tinha altas expectativas, mas logo que fui avançando pelas páginas fui ficando envolvida pela história e pelos personagens e não queria mais largar o livro. Não esperava que essa leitura fosse ser tão boa e quando vi, estava chegando ao final em menos de dois dias de leitura.

Bem escrita e disposta de forma inteligente, essa narrativa aproveitou bem o recurso da mudança de foco através das diferentes visões dos personagens, de forma a deixar o leitor curioso e ir revelando detalhes aos poucos. E esse recurso talvez seja o que tenha tornado o livro tão bom de ler e tão eletrizante.

Mas não é apenas a escolha da forma de escrita que tornou o livro bom, como também a construção de seus personagens e seus conflitos internos. Não consegui definir qual deles se tornou meu favorito, mas alguns dos momentos contados por Sammy foram os de que mais gostei, talvez pela visão infantil sobre toda a situação de caos, como no trecho em que ele está sendo levado para o abrigo.

Quando aquilo, ou melhor, quando eles iriam parar? Talvez nunca. Talvez os alienígenas não fossem parar até terem tirado tudo, até que todo mundo fosse como Sammy, vazio, sozinho e ‘desursado’. Página 156

Ainda em relação aos personagens, gostei da “humanização” deles. Com medos e sentimentos muito plausíveis, verossímeis, eles realmente parecem seres humanos reais. Todos os personagens vivem seus tormentos psicológicos e suas disputas de consciência, entre suas lembranças e entre as decisões que precisam tomar.

Gritei com o menino para que se acalmasse e me acompanhasse. Foi perda de tempo. Finalmente, eu simplesmente o peguei e joguei por cima do ombro, fuzil seguro em uma das mãos, traseiro de Nugget na outra. Quando cheguei ao lado de fora, lembrei-me de outra noite e outra criança aos gritos. A lembrança me fez correr mais rápido. Página 192

Com suspense, romance e ação na medida certa, além de uma escrita boa e uma tradução que a acompanha, esse livro vale a pena! Mesmo se você não for fã de ficção científica, é uma leitura super indicada pelo suspense bem construído, pela boa história e pela boa construção dos personagens.

*Resenha publicada originalmente no RandomCast, em 08/11/2013.

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