sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Eu, o desaparecido e a morta




TÍTULO: Eu, o desaparecido e a morta
AUTORA: Jenny Valentine
EDITORA: iD

Nunca tinha lido nada sobre ou ouvido falar deste título. Ele chegou às minhas mãos graças aos balaios de saldo da Feira do Livro de Porto Alegre, onde estava custando R$10. Entre os diversos livros do balaio, a maioria da editora ID, esse título me chamou a atenção e pareceu ser interessante, comprei e logo depois o li, num feriado de bobeira em casa.

Não sei por que eu tinha imaginado que esse livro envolveria algum tipo de romance sobrenatural e esperava uma leitura rápida e bem clichê. E talvez tenha sido por essa expectativa baixa que ele me agradou tanto.

O livro é narrado em primeira pessoa, pelo personagem Lucas Swain, um adolescente de 16 anos que vive em Londres com a mãe, um irmão e uma irmã. O pai de Lucas desapareceu há cinco anos, sem deixar notícias, nem dar nenhum sinal de vida depois disso, fato que perturba muito o rapaz. Lucas é obcecado com a ideia do pai, e além de se parecer fisicamente com ele, usa suas roupas e pensa constantemente nele, buscando entender o motivo de seu sumiço.

De uma forma bem curiosa, Violet, uma mulher morta, entra em sua vida, surgindo em toda a parte e transformando para sempre a sua vida.

 Não vou contar mais nada sobre o enredo, porque seria entregar o jogo, mas o que posso comentar é que encontrei um tipo de história completamente diferente do que esperava.

Eu, o desaparecido e a morta é uma história que tem um grande foco no autoconhecimento e no quanto as lembranças muitas vezes se turvam, nos pregando peças a respeito das pessoas que amamos. É uma narrativa sobre percepções, formas de encarar a vida e sobre o quanto muitas vezes podemos nos sentir perdidos.

Me surpreendi com a profundidade do personagem narrador e dos outros personagens da história também, porque esperava algo bem mais descontraído. Isso não significa que essa seja uma leitura pesada, pelo contrário, é muito agradável e a leitura é super-rápida.

A linguagem utilizada é cotidiana, e realmente parece que um adolescente está escrevendo o texto. É muito interessante, aliás, ver como Lucas faz suas constatações sobre as coisas e as descreve.

Mamãe diz que ela era um mulher linda, mas que os três filhos e um marido ausente acabaram com a sua aparência. Diz que é muito mais difícil do que se pena ter tido beleza e depois perde-la, mas a Mercy acha que ela deveria ter a experiência de ser feia o tempo todo, isso que não é moleza... Mamãe diz que a Mercy tem baixa autoestima. Se quer mesmo saber, a maioria das meninas vive de baixa autoestima, e não de comida. Página 37. 

Foi muito fácil me identificar com o personagem principal, porque mesmo sem passar por nenhum dos problemas que o perturbam, eu sempre fui uma pessoa muito pensativa e acho que é um aspecto que me ligou ao personagem.

Ao mesmo tempo, a história também me deixou curiosa para saber o que aconteceu ao pai de Lucas e de que maneira Violet seria importante conforme os fatos fossem se desenrolando. E gostei da forma como esses elementos foram aproveitados e se resolveram ao longo da narrativa.

Gostei bastante desse livro e fiquei feliz por tê-lo encontrado. No final das contas, foi uma leitura leve e reflexiva ao mesmo tempo, o que adoro. Fica como sugestão para quem gosta de histórias mais focadas no interior/psicológico dos personagens.

2 comentários:

Letícia Godoy disse...

OWWWNN me identifiquei! Acho que vou procurar este livro.
Adorei a resenha Nikki!

http://eraumavezlivrosecia.blogspot.com.br/

HONORATO, Sandro disse...

Boa tarde,
Como vai?
Mais um livro que não conhecia :O
E como você o encontrou a 10 reais *O*

Muito legal sua resenha,e é tão bom se identificar com o personagem principal né? A gente passa a entender suas atitudes no decorrer da leitura...

Beijos e se cuida
www.rimasdopreto.com