terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

As luzes


Oi, pessoas!

Abandonei vocês novamente durante as últimas semanas, neh? Na verdade, esse ano começou com alguns imprevistos e com isso, não pude me dedicar a muitas coisas que gostaria. Mas, resolvidas as tormentas, estou de volta, mais uma vez. Espero que agora consiga manter isso aqui em ordem!
Para retomar as postagens, um novo conto, escrito durante o ano passado.

AS LUZES



A escuridão era quebrada por algumas lâmpadas de iluminação pública alaranjadas e altas, que mal davam conta de esclarecer os contornos da calçada. Não que isso fosse ajudar grande coisa, já que Lúcia ia em frente sem prestar atenção ao que havia a sua frente. Sua prioridade era se distanciar do que estava atrás dela.

Ainda assim, chegando ao cruzamento com a avenida, foi obrigada a parar para respirar e para deixar passar os poucos carros que se aventuravam naquela hora da madrugada.

Nesse instante, se permitiu espiar para trás, para descobrir se ainda era seguida. Não havia nenhum vulto atrás dela. E, de fato, ela nem o vira sair correndo em seu encalço. Devia estar tudo bem... Provavelmente ele desistira quando ela saíra correndo.

Riu de si mesma, voltando-se para frente, pronta a seguir pela calçada na direção de algum ponto de ônibus. Ficar ali, naquela semi-escuridão alaranjada é que ela não queria.

Deu alguns passos, seus sapatos de salto fazendo toc toc no cimento. Começou a mexer no celular, procurando o número do táxi para chamar. E então, deu de cara com alguma coisa. Um peitoral duro. Ela gelou.

O celular foi ao chão, mas ela não procurou pegá-lo. Ao invés disso, soltou um grito, pronta para sair correndo outra vez. Só que seus joelhos pareciam moles.

-Que falta de educação sair assim correndo. Eu pensei que estávamos nos divertindo...

A voz dele parecia realmente ofendida. Pura mentira, ela sabia. Sabia... Mas seu cérebro parecia congelado de pavor, como provavelmente fica o cérebro de um ratinho prestes a ser devorado por uma serpente.

Tentou caminhar para trás, talvez com algum instinto ainda funcionando, mas ele agarrou seu pulso com firmeza, impossibilitando a fuga e puxando-a para perto de si. Ela deixou-se guiar, imobilizada, em transe, e fitou aqueles olhos dourados cheios de um desejo que ela não conhecia. Fome.

Lúcia sabia que precisava se mexer se quisesse manter a vida, mas assim como sabia, parte dela sabia ser inútil resistir. Abobalhada, permaneceu parada enquanto seu cabelo foi afastado do pescoço e os dentes pontudos penetraram a pele. Ela sempre odiara a sensação de agulha entrando na pele, mas aquilo era bem pior. Os caninos maciços rasgaram sua jugular e estourando carne e veias enquanto a boca faminta devorava o líquido que fluía pela ferida.

Suas mãos se mexiam, tentando fazer alguma coisa, mas logo penderam molemente dos punhos, sem ação. Uma moleza doentia foi se abatendo sobre o corpo dela, junto com um frio que parecia começar em seu coração, como se estivesse congelando por dentro, ficando enregelada, endurecida como um cristal de gelo.

O céu não tinha estrelas, mas ela tinha quase certeza de que podia ver pontinhos de luz enquanto seus olhos se fechavam.

5 comentários:

Amanda Bistafa disse...

Ahh vampiros! *-* Adorei o conto, gosto muito de fantasia, mas confesso que não tenho a menor criatividade para contos desse gênero, acabo ficando mais nas crônicas mesmo rs
Bjs!
http://marcasindeleveis.blogspot.com.br/

Gabi S disse...

Cool!!!!!!

Josiani Pospichil disse...

Gostei do conto. Ele fez com que eu me lembrasse de narrativas que eu gosto.

Todas as Letras por um Tom disse...

E nunca saberemos as surpresas que podemos ter em cada esquina e becos com algumas lâmpadas de iluminação pública alaranjadas e altas, que mal dão conta de esclarecer os contornos da calçada. As coisas simplesmente acontecem.
Abraço, belo conto.

TODAS AS LETRAS POR UM TOM
http://todasasletrasporumtom.blogspot.com.br/

Paula Lisboa disse...

Amo esse clima de mistério, essa coisa de vampiros e tudo mais. Amei o conto!