quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O tempo e o vento


        Olá, pessoas! Sei que andei sumida de novo... Esse ano está difícil me organizar: quando acho que minha rotina vai entrar nos eixos, alguma coisa acontece. No caso, nas últimas semanas entrei para o PIBID (Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência), então estou dando meus primeiros passos em sala de aula e também me envolvi em outros eventos do meu curso em função disso. Um desses eventos foi uma ida ao cinema com o propósito de assistir O tempo e o vento, filme baseado na obra de Érico Veríssimo, escritor gaúcho que estudamos na disciplina de Literatura Sul-riograndense. Sim, podem chamar de bairrismo, mas temos essa disciplina aqui na minha faculdade e na verdade, ela é muito interessante por desconstruir um pouco a imagem romantizada que se tem do gaúcho (ou que o gaúcho tem de si mesmo...). Mas, enfim, não vou me perder nisso porque o objetivo desse post é comentar o filme que fui assistir com as colegas.
        Em primeiro lugar, alguns esclarecimentos sobre a obra literária na qual o filme se baseou são necessários. O tempo e o vento é uma série composta por seis livros (O Continente I, O Continente II, O Retrato I, O Retrato II, O Arquipélago I e O Arquipélago II) que contam a história de várias gerações da família Terra Cambará. Ao mesmo tempo, a obra retrata a história do Rio Grande do Sul através das vidas desses personagens, contando a formação das cidades do estado e as muitas guerras que ocorreram por aqui. Também acho relevante dizer que até o momento, li apenas o primeiro volume dos livros: O Continente I.



        O filme parte da mesma premissa que a série de livros, mas se foca, em especial, nos personagens Rodrigo Cambará e Bibiana Terra Cambará e na história de amor dos dois. Outros personagens mais marcantes como Ana Terra também ganham destaque, mas em menor escala. No filme, a história dos Terra Cambará é contada através das lembranças de Bibiana, que já se encontra em idade avançada e é interpretada, nesse estágio, pela genial Fernanda Montenegro. O simples nome da atriz interprete já diz tudo, não é? Achei que Fernanda coube muito bem no papel e soube incorporar a personagem e toda a bagagem dela.
        Já enquanto jovem, Bibiana é interpretada por Marjorie Estiano, que não brilha no papel. Não sei exatamente se foi falta de espaço para a personagem ( que nesse período do filme é ofuscada pelo Capitão Rodrigo) ou se foi um problema de atuação mesmo, mas o fato é que apesar de gostar da atriz, não achei sua atuação extraordinária.


        Voltando a citar o Capitão Rodrigo, eu gostei da interpretação de Tiago Lacerda. Coube bem ao personagem e fez a graça do filme.
        Por fim, comento a atuação de Cléo Pires como Ana Terra: achei que esse trecho em especial, a história da Ana, sofreu alterações com a interpretação dela e a adaptação feita. Não me pareceu que Cléo estivesse pronta para interpretar esse papel, afinal, Ana é uma mulher muito forte. Aliás, uma das coisas que notei no filme, foi que Ana Terra acabou tendo uma imagem mais fragilizada de “moça apaixonada” do que no personagem literário, que é bem mais complexo e que tem uma relação bem diferente com seus sentimentos em relação a Pedro Missioneiro.

        Achei que essa adaptação tirou muito da força das mulheres da obra, afinal, um dos traços do Érico é justamente apresentar a mulher como o alicerce da família e como a constância e a força, e não achei que no filme isso tenha transparecido tanto quanto nos livros.
        Ainda vale dizer que o filme parece ter se focado apenas no volume I d’O Continente, pois tudo o que li estava ali e havia pouca informação além disso (assim, concluo que usaram poucas informações dos demais volumes).
        O filme é bom: é bonito, com paisagens bem captadas, bons figurinos e uma noção bonita da história, mas acaba sendo incompleto e perdendo algumas das melhores qualidades da obra literária. É possível entender que isso tenha acontecido: transformar seis livros em um único filme demanda muitos cortes e adaptações. No final das contas, me emocionei com a forma como a história foi retratada e achei o filme bem elaborado, mas sua qualidade não pode ser comparada à da obra literária, muito mais densa e inesquecível.


Um comentário:

Camila Deus Dará disse...

Não conhecia o filme, mas fiquei com vontade de ver e de ler os livros também. Eu também não conhecia os livros. kkkk
Eu gosto de filmes brasileiros. mas não vejo muitos, acho que por não ver televisão aberta, não fico sabendo dessas novidades, pode ser isso.
Mas obrigada pela dica!

Beijos. :)