sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

O Silmarillion

Página do livro no Skoob


        Aproveitei essas férias para fazer novas leituras e também para revisitar alguns títulos da minha estante, o que foi o caso d’O Silmarillion que eu ganhei e li pela primeira vez há pelo menos cinco anos. Empolgada com o filme d’O Hobbit, resolvi reler a obra e só posso dizer que aproveitei muito mais do que a primeira leitura, na qual já havia gostado bastante dele.
        O Silmarillion faz parte da obra do inglês John Ronald Reuel Tolkien, ou simplesmente J.R.R. Tolkien, da qual os livros mais conhecidos são O Hobbit e os três volumes da trilogia O Senhor dos Anéis. Esse livro reúne toda a história da criação e desenvolvimento do mundo em que acontecem as aventuras de Bilbo e a demanda do Um Anel e foi publicado postumamente, sendo que o conteúdo foi organizado por Christopher Tolkien, filho do autor.
        Resumi-lo não é fácil: ele funciona quase como uma Bíblia ou livro de história sobre o mundo fantástico criado por Tolkien. Nas duas primeiras partes do livro, Ainulindalë e Valaquenta, somo apresentados a Eru Ilúvatar, o deus que criou o mundo e os poderes que nele habitam, os chamados Valar e Maiar, que seriam como deuses de menor poder e semideuses, que seguem o plano de Eru.
        Depois disso, começa a parte mais extensa e que constitui a parte central do livro: Quenta Silmarillion. Os Valar passaram a construir o mundo e o mais poderoso deles, Melkor, foi corrompido pelo ciúme e pela inveja, destruindo a criação dos outros. Assim, os Valar deixam Melkor na Terra Média e partem para Valinor, onde permanecem até descobrirem que os elfos nasceram na Terra Média. Partem então para lá, a fim de trazer os elfos até Valinor. Porém, apenas um grupo desse povo parte com eles. Já em Valinor, os elfos constroem seus lares e nasce Fëanor, o mais hábil dos elfos, que produz as Silmarils, três gemas de valor inestimável e beleza incomparável a partir das luzes de duas árvores sagradas. Essas pedras são cobiçadas por Melkor, que arma uma cilada e as rouba, fugindo para a Terra Média, do outro lado do mar, onde tem sua fortaleza.
        Na busca por essas pedras, Fëanor, seus filhos e muitos de seus parentes e membros de seu povo vão atrás de Melkor para recuperar as joias e disso resultam grandes males, pois Melkor fez com que os elfos duvidassem dos outros Valar e por isso, seu povo foi amaldiçoado.
        Assim, são relatados todos os feitos para tentar recuperar as Silmarils, que envolvem longos anos e se entrelaçam com a guerra dos elfos contra Melkor, com o surgimento dos homens mortais e seus destinos.
        A quarta parte é chamada Akallabêth e relata como se desenvolveu a nação de Númenor, uma terra de homens mortais que descendiam da união de elfos e homens mortais. Com uma longevidade maior que a dos outros homens e a amizade dos elfos, eles constroem uma nação magnifica, mas atraem a inveja de Sauron, o servo de Melkor, que os conduz à sua queda.
        Na última parte, intitulada Dos Anéis de Poder e da Terceira Era, temos uma explicação sobre a forjadura dos anéis que geraram a saga de O Senhor dos Anéis.
        Mesmo com esse resumo, é quase impossível compactar o conteúdo dessa obra e seus personagens marcantes. Para um fã de Tolkien, esse é um livro mágico, que serve para entender e amar ainda mais a obra do Professor.
        Como pode ser perceptível, O Silmarillion não é exatamente um livro para quem não está familiarizado com a escrita desse autor. Isso porque nele temos muitos personagens, nomes e lugares nos sendo mencionados e para um leitor de primeira viagem, pode não ser muito convidativo e parecer confuso. Bom mesmo é começar por O Hobbit ou O Senhor dos Anéis e depois, surgindo o interesse, buscar esse.
        Assim como amei os outros livros, esse também está entre os meus favoritos e fica difícil falar mais sobre ele. A escrita é impecável, a tradução bem feita e a publicação pela Martins Fontes corresponde a essa qualidade. Tolkien é, ao menos na minha concepção, um autor único que conseguiu reunir diversos elementos de história e mitologia e criar um mundo novo e complexo a partir disso, com seus próprios mapas, geografia, idiomas, povos e culturas. E O Silmarillion só serve para reforçar ainda mais a qualidade da escrita do autor britânico. 


Retirada DESSE LINK.
        De Beren e Lúthien
        Um dos capítulos do Quenta Silmarillion se chama De Beren e Lúthien e me sinto obrigada a falar um pouco sobre esses personagens, porque além de serem meus favoritos, eles tem uma origem bastante interessante: a história deles foi inspirada no romance do autor com sua esposa Edith, que era alguns anos mais velha do que ele. Os dois tiveram que enfrentar alguns empecilhos para ficarem juntos, assim como os personagens, que são um humano e uma elfa. Só que Lúthien não é qualquer elfa: além de ser a princesa de um dos mais poderosos reinos élficos e filha de uma semi-deusa, ela é a mais bela de todas as elfas. E Beren se apaixona por ela assim que a encontra. Porém, o pai dela diz só permitir o romance se Beren lhe trouxer uma das Silmarils que está sob o poder de Melkor. Assim, Beren parte atrás da pedra e Lúthien vai atrás dele, auxiliando-o nessa jornada e constituindo um dos personagens femininos mais fortes da obra. Esse capítulo é um dos mais poéticos do livro, porque trata especialmente sobre uma história de amor e do que esse sentimento pode motivar. 





2 comentários:

Leandro de Lira disse...

Oi!
Que resenha maravilhosa!
Eu tenho o livro aqui há um tempinho já, mas ainda não o li.
Talvez eu não goste tanto da leitura, mas mesmo assim estou curioso.
Só espero que a leitura não seja cansativa. Somente isso. rs
Abraço!

"Palavras ao Vento..."
www.leandro-de-lira.com

Camila Deus Dará disse...

Que resenha ótima.
Estou querendo muito ler esse livro, já li outras coisas do escritor e acho tudo dele incrível, não sei como conseguiu inventar tantas coisas, mundo, línguas, tudo tão perfeito e sem furos, mas não gosto tanto assim da narrativa dele, mesmo achando tudo maravilho. Assim que ler, volto aqui e comento o que achei.

Beijão :)

Camila- Ninho de Fogo