sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Fios


A roca fazia barulho, enquanto a mulher, sentada na cadeira, fazia com ela uma manta. Usava para tal fios de ouro, luzidios, finos e sedosos. Cantarolava, enquanto isso, uma velha canção que sua mãe lhe ensinara.

Tinha muito trabalho pra fazer naquele dia. Era a tecelã mais requisitada do reino, por fazer peças de maciez e durabilidade inigualáveis, além de cobrar preços até mesmo desvalorizados por suas belas produções.
O segredo dessa perfeição ninguém conseguira descobrir até então. Linhas como aquelas usadas pela costureira, não se encontrava em nenhum outro lugar. Eram fios sempre sedosos e macios, leves de usar.
Quando era questionada sobre a procedência de sua matéria prima, ria. “Segredo meu”, dizia. E assim, ninguém sabia.
Quando se ia o cliente, satisfeito e maravilhado, ela sentava na mesa, sorria.
Chegaria logo outro pra fazer uma encomenda. Ela aceitaria, prontamente! E iria naquela noite voltar ao cemitério, violar um novo túmulo, ainda não descoberto, buscar no topo da cabeça de um cadáver, os fios que vestiriam mais um vivo.

***

Estava revendo alguns velhos contos quando achei esse aqui, que ainda não tinha sido postado no blog. Ele foi escrito há alguns anos, mas ainda gosto do efeito que ele pode causar... Então aqui está. 
Até a próxima! 

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