sexta-feira, 27 de julho de 2012

Adeus beleza




Isabel sempre fora a mais linda da cidade. Cobiçada pelos rapazes solteiros e invejada pelas outras mulheres, desfilava com vestidos da última moda, que demonstravam o desenho de corpo perfeito. A cintura moldada pelo espartilho era seu maior orgulho, já que nenhuma outra tinha sua silhueta. 
Numa noite, porém, seu reinado caiu. Chegara à cidade a sobrinha de um distinto cavalheiro e para recebê-la foi organizado um jantar. 
A família de Isabel fora convidada e ela se arrumou com esmero, contando com os elogios que viriam. 
Mas, naquela noite, todos os comentários pertenceriam à recém chegada. O vestido, o cabelo, a pele clara: tudo rendeu exaltação. No entanto, nada irritou mais Isabel do que os dizeres sobre a cintura mínima da moça.
Tão logo chegou à sua casa, pôs-se a pensar sobre o que faria para tomar de volta o seu posto. Ela própria tinha todas as características que faziam uma jovem mulher bonita, não fosse a cintura, que devia dar duas vezes a de sua concorrente. Faria algo a esse respeito na manhã seguinte.
A criada chegou para ajudá-la a se vestir tão logo o sol nascera, e Isabel ordenou que apertasse o espartilho mais que o habitual. 
Satisfeita, foi tomar a refeição da manhã e teve sua alegria minada pela conversa que os irmãos tinham a respeito da estrangeira. Não bastasse, avistou a moça circulando pela rua com sua cintura e os suspiros dos que observavam. 
No outro dia mandou a criada apertar ainda mais o espartilho. E mais no terceiro, no quarto, no quinto e no sexto dia depois do banquete. 
Quando o sétimo dia chegou, pediu que a peça fosse mais apertada. A empregada hesitou, disse que não era possível, mas a senhora mandou calar e apertar. Assim foi feito, até que a moça soltasse um grito agudo e assustador. 
A serva parou e a senhora mandou continuar. Não via que ela estava feia? 
Os laços foram puxados e puxados, e a Isabel refreava os gritos, as lágrimas, a dor. Sua serviçal sentia lágrimas chegarem aos olhos enquanto realizava a tarefa e puxava, apertava... 
Por fim, Isabel soltou um uivo horrível que morreu ao meio, com ela, sem ar pra se manter. 

***
Conto novo! Fazia muito, muito tempo que eu não produzia um conto e fiquei muito empolgada para escrever esse, logo que tive a ideia. 
Estou aperfeiçoando a sinopse do meu livro e pretendo montar, em breve, um pequeno book trailer (assim que ele estiver pronto, coloco aqui para vocês conferirem!). 

Até a próxima! 

4 comentários:

Lindalva disse...

Parabéns Niki um conto contado com contas do coração. Olá sou Lindalva da Ilha e vim validar teu voto na semifinal do pena de ouro. Abraços afetuosos!

Rosa Mattos disse...

Continho novo saindo, sempre bom. Ainda mais quando a ideia surge e você logo trata de transcrever e fica animada com o resultado.

Isabel partiu-se de inveja. "morreu ao meio, com ela"..\o/

Vou adorar conferir o book trailer do seu livro.

beijos {grata pelo voto no Ostra}

Lindalva disse...

Boa tarde Niki estou aqui novamente para validar teu voto no pena de ouro, desta feita na final. Abraços.

Isie Fernandes disse...

Oi, Niki.


Parabéns pelo conto novo! você escreve mesmo muito bem. =) Também quero muito assistir ao seu book trailer.

Beijos,

Isie Fernandes - de Dai para Isie