sexta-feira, 16 de setembro de 2011

O último suspiro: XIV - Esperança


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O Último suspiro
XIV: Esperança

A água fazia pesar a terra. Trabalhava com desespero, músculos doendo, precisava ser rápido.
Parecia a eternidade o tempo que cavava e cavava e por fim, a ponta da pá chegou a uma superfície dura, madeira de lei.
Apressou-se e abriu a tampa da caixa.
Os olhos estavam fechados, mas nada da calma posição de ser enterrada. O estofamento da tampa estava rasgado. Ela tinha acordado. Sentiu o pulso. Era fraco, quase inexistente. Mas estava viva ainda.
Tirou-a do caixão, precisava respirar direito.
Beijou os lábios, ainda frios, molhados de chuva. Levá-la-ia para o consultório e trataria para que ficasse boa.
Alberto demorara-se selando o cavalo, mas conseguira pegar a direção do irmão. Estrada sem fim, raiva correndo no sangue.
Seu caminho o levou de volta ao cemitério, onde o cavalo do irmão estava.
Desmontou. Via o irmão agachado no chão,um bolo de tecido branco. Samuel enlouquecera! Desenterrara a morta? Tivera essa ousadia?
Seguiu até ele, os olhos vermelhos.
-Está maluco? Não vai deixar nem morrer em paz? É tudo sua culpa! Que tivesse ficado na Europa!– Esbravejou.
-Não está morta. Não ainda. Preciso levá-la, tratar para que se cure. Há pouco tempo.
Alberto o puxou. Socou-lhe a bochecha. A raiva falando. Queria matar aquele desgraçado, sangue do seu sangue que tivera a coragem de fazer aquilo com ele.
Samuel revidou e os dois se engalfinharam, nuns socos e chutes, a chuva caindo.

***
N/A: Personagens enterrados vivos são muito recorrentes na literatura. Em "O conde de Monte Cristo" temos Valentine, em "Romeu e Julieta", Julieta. Em séculos passados isso acontecia devido à catalepsia, um "distúrbio" que pode ser causado por intoxicação ou outros fatores e que faz com que a pessoa realmente pareça morta. 

Um comentário:

Rosa Mattos disse...

Olha só que reviralta na história! Dei uma lida nos capítulos anteriores pra me inteirar dos últimos acontecimentos e me surpreendi com essa novidade.

Boa guinada. Recuperou o suspense. Creio que falta bem pouquinho pro final.

Não é fácil manter o leitor instigado numa narrativa divulgada em capítulos. Parabéns Niki. Estou adorando ler.