quarta-feira, 14 de setembro de 2011

O último suspiro: XIII - Descobertas


Anteriormente...:Parte 1 - Parte 2 - Parte 3 - Parte 4
Parte 5 - Parte 6 - Parte 7 - Parte 8 - Parte 9 - 
Parte 10 
Parte 11 - Parte 12

O último suspiro
XIII : Descobertas
Desmontou em frente à figueira, que se curvava com  vento.
Correu pra dentro e encontrou as empregadas arrumando a sala, o irmão sentado numa poltrona.
-Vim assim que recebi sua mensagem.
-Tenho certeza que sim. – Havia algo de sarcasmo na voz.
-É uma infelicidade que não estivesse aqui. Talvez pudesse ter feito alguma coisa... – Controlava-se. Não podia expor sua tristeza, a decepção por não poder nem vê-la pela última vez.
Alberto levantou-se e subiu as escadas. Devia estar cansado, amuado. Afinal, por mais que tivesse se distanciado de Erida, ela era sua esposa.
Samuel foi até a adega. Ia buscar uma garrafa, embebedar todos os tormentos da alma.
Havia um vinho aberto, que ele pegou, arrancando a rolha e fazendo-a seguir um caminho pelo chão, rolando até bater em um pequeno frasco. Abaixou-se para analisar aquele objeto deslocado. Como um dos seus frascos fora parar na adega? Seu material sempre ficava no consultório, ou em seu quarto.
O recipiente vazio fez uma mórbida ideia se agarrar desesperada a sua mente e ele correu até o irmão, o vidro numa mão, o vinho noutra.
-Encontrei isso na adega. Sabe como foi parar lá?
-Sim.
O choque e a repulsa tomaram os olhos do mais novo.
-O que você fez? A matou intoxicada?
Não havia necessidade de resposta. Aquela era uma conclusão óbvia, mas Samuel não conseguia assimilá-la. Como o outro podia ser tão cruel?
-Por quê?  
-Porque eu sabia. Não ia deixar que ela me deixasse na vergonha. Podia ter dado um tiro nela, matado à faca. Assim foi melhor, ela morreu dormindo. – Falou sem exaltar a voz, com uma frieza assustadora.
Samuel sentou-se na cama, sentimentos confusos. Fechou os olhos.
-Quem lhe atestou a morte?
-Não havia necessidade disso. Estava morta,fria, sem pulso.
-Quanto havia no vidro? Estava cheio?
-Não.  
Os olhos se abriram.
-Há quanto tempo foi o enterro?
Alberto tinha gana de pegar o traidor, surrar, descontar a raiva até que ele também precisasse de caixão.  Mas não podia. Da forma como havia feito, ninguém suspeitava que fosse assassino. E dessa forma, a vingança era doce, quase um afago ver os olhos do irmão em desespero, a respiração alterada pela dor de perda que ele próprio não sentira. Não respondeu a questão.
Quando Samuel deixou o quarto e correu com pressa escada abaixo, já chovia. Montou seu cavalo e fez o bicho correr. O irmão teve medo. E se ele fosse denunciá-lo? Ia preso, toda a história revelada... Foi atrás, buscou o cavalo, atiçou-o. 

Nenhum comentário: