segunda-feira, 28 de março de 2011

Réquiem para um coração de cristal


Eles jazem despedaçados
Nas cinzas, no pó
Os teus filhos amados
Almas cedo condenadas
Pelas mãos de quem o mundo prometeu
Num torpe tapa do destino

A morte reside no ventre vazio
Outrora cheio de vida e calor
Só lhe resta agora a sua sina
O silêncio na eternidade

As bonecas esperam alguém
Pra lhes trocar a roupa, pentear o cabelo
Lhes acompanham as armaduras da batalha perdida
As paredes choram sua solidão
E nada vive no inferno
Nada se cria da dor.

2 comentários:

Rosa Mattos disse...

Triste destino, tão bem retratado nessas linhas, sob uma perspectiva inusitada (a boneca que espera, a parede que chora).

Com licença amiga, mas há controvérsias, entendo eu, sobre as duas últimas frases. A não ser, é claro, que se aprofunde na questão e considere que não seria vida, nem seria possível gerar vida, num inferno desesperador.

Teu poema encheu meu cérebro de indagações e me levou pra tantas direções - nem queira saber! rs

{estou no ostra da poesia, se quiser deixar um comentário no meu poema seria uma satisfação pra mim}

beijos/! teus escritos tem um toque soturno que aprecio bastante.

Rosa Mattos disse...

AHH sim, faltou dizer que achei muito bom o título.

{na verdade eu teria muito mais pra escrever, pois me vem muitas coisas à mente ao ler este teu texto - sina, destino, fatalidades, abandonos, silêncios, dor, vida abortada, vida ceifada,..., mas a expressão 'coração de cristal' me comove imensamente ao ponto de não conseguir escrever mais nada além de ... um beijo Niki♥}