quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Contos de fadas de terror

Olá! Recentemente, encontrei uma editora curiosa, a Andross que seleciona trabalhos de novos autores para publicar em antologias. Uma delas, chamada Histórias envenenadas me chamou a atenção e fez com que eu escrevesse dois contos de terror. Um foi enviado para seleção e o outro divido com vocês agora.


A festa dos lobos


Era verão e fazia um dia bonito, ensolarado, o que deixava Raquel alegre, pois ela podia brincar com seu cãozinho no quintal.
Fazia exatamente isso quando sua mãe saiu de casa com a cesta de compras na mão.
-Estou indo até a cidade. – Disse. – Fique em casa e tome cuidado com os estranhos. E fique longe da floresta.
Raquel assentiu e a mãe se despediu, indo estrada afora na direção da cidade.
Mal sua figura sumira na distância, a menina começou a pensar na floresta, misteriosa e convidativa. Nunca tinha tido permissão para ir lá... Mas agora estava sozinha e se fosse rapidamente dar uma olhadinha sua mãe nem ficaria sabendo...
Assim, ela saiu pelo portãozinho de madeira, caminhou pelos campos até a borda da floresta e encontrou uma trilha que serpenteava entre as árvores.
Seguiu por ali, rodeada de verde e cheiro de grama.
Conforme avançava pelo caminho, ficava mais admirada com os animais que circulavam entre as enormes árvores.
Caminhou durante horas sem se cansar, cantarolando e colhendo flores coloridas, sem se preocupar com sua mãe e com os possíveis castigos por sua desobediência.
Quando deu por si, a noite já estava chegando e tudo mergulhava na escuridão.
Raquel apressou-se pelo caminho de volta, mas logo as sombras a engoliram e ela se perdeu, sem conseguir enxergar a trilha.
Seu pequeno coração retumbava, assustado e hesitante, enquanto os animais da noite deixavam suas tocas.
O silêncio era quebrado pelos pios das corujas e por passos no escuro, que se aproximavam.
Um uivo rasgou a noite e Raquel soltou um grito agudo ao notar que o som vinha de perto.
Começou a correr, mas não conseguiu avançar muito sem trombar nos galhos e arbustos.
Ouvia a aproximação dos lobos, enquanto tentava fugir desesperadamente.
Nenhum de seus esforços surtiu efeito, já que os animais conheciam bem a floresta e estavam famintos.
O primeiro se aproximou quase timidamente e abocanhou o calcanhar da criança com força, liberando a seus companheiros o cheiro doce do sangue fresco e convidando-os para a matança.
Ele continuou mordendo o pé da criança, parecendo se deliciar com os pequenos nacos de carne crua que arrancava dali.
Seus companheiros vieram em seguida. Um deles meteu a boca cheia de dentes afiados na mão da menina e começou a puxar e sacudir a mandíbula, como se estivesse brigando com ela. Raquel gritava e chorava, sabendo que não havia mais como escapar, porque não havia ninguém na floresta àquela hora.
Por fim, o lobo arrancou a mão, expondo um pedaço de osso e começou a degustá-la com violência.
A menina escorregou para o chão, sentindo o sangue morno verter de seus ferimentos.
O terceiro lobo postou-se sobre ela e enfiou sua mordida na barriga macia, rasgando pele e roupa e liberando as entranhas na criança.
Raquel já perdera os sentidos, tonta pela falta de sangue e pela dor e não viu os animais fartarem-se de suas tripas e comerem cada pedaço que restou de sua carne, num banquete medonho, que durou até o amanhecer. 

Até a próxima, beijos. 

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