segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Devorador da morte - parte 2

Olá! Por alguns motivinhos técnicos, não consegui postar ontem. Então, segue abaixo a segunda parte do conto.

Devorador da morte
Parte 2: O relato de Cristine


 O nome dele era Willian Forester. Seu pai era aleijado e zelador do cemitério de Nottingham, ao lado do qual moravam. A mãe de Will foi embora quando ele era bebê porque o odiou desde que nasceu. Ele era feio e sofria convulsões horríveis com freqüência.
Assim, seu velho pai o criou do melhor jeito que se pode criar um criança em um cemitério. Will ajudava o pai a limpar as lápides e escová-las, tirar as ervas daninhas e abrir covas novas. Tornou-se forte e calado e os outros tinham medo dele.
Aos 10 anos, seu pai morreu e ele ficou sozinho em casa. Ninguém deu por falta de seu pai e ele não sabia o que fazer, então, o velho Forester ficou apodrecendo em sua cama, morto por causa de uma parada cardíaca.
Sem dinheiro nem ninguém para zelar por ele, Will começou a se alimentar de uma forma deplorável...
Ele começou a imitar os lobos magros que rondavam o cemitério e comia a carne crua e putrefata que eles deixavam pra trás.
Quando o vigário de Nottingham visitou o cemitério, duas semanas depois da morte do velho Forester, encontrou um cadáver em decomposição e uma criança com problemas mentais, que comia restos mortais. Tomou imediatamente para si a responsabilidade de educar aquela criança e foi o que fez. Levou Willian para viver consigo, em sua casa paroquial.
Lá, ele passou a ensinar os evangelhos para ele e lhe deu tudo o que uma criança poderia deseja: comida quente, roupas limpas e cuidados.
Will parecia suavemente desinteressado na vida ao seu redor e as outras crianças tinham medo dele. Quando completou quinze aos, era um adolescente solitário e excluído, que caçava ratos e pássaros para se distrair. Foi então que conheceu Anabeth. Ela era uma jovem mulher linda, de cabelos loiros e olhos gentis.
Anabeth era a única pessoa que tentava ser agradável com ele e talvez por isso, ele tenha pensado que ela nutria sentimentos fortes de afeição por ele.
Uma tarde, ele a convidou para caminhar e ela aceitou. Quando chegaram a um local mais isolado, ele se declarou apaixonado por ela.
Anabeth teria dito, de uma forma muito gentil, que gostava dele, mas que amava outro rapaz. Foi então que uma fúria descomunal se apoderou do jovem e ele avançou nela, como um cachorro. Abocanhou a bochecha dela, enquanto seus braços a apertavam para que não fugisse, e arrancou dali um enorme naco de carne.
Chorando e sangrando, Anabeth teria conseguido chegar em casa três horas depois, terrivelmente abalada. Will fugiu da cidade, sabendo que ela contaria a verdade a todos e que seria preso.
 Ele voltou para a antiga casa de seu pai, mas lá morava o novo zelador do cemitério.
Começou, então, a se ocultar pela noite para roubar os túmulos, porque nutria uma sanha de carne humana saída do inferno. Cavava as lápides mais antigas, que sabia não serem mais visitadas, porque não restava nenhum ente vivo. Refestelava-se com a carne que ainda sobrava junto aos ossos, mastigando com avidez cada pedaço de músculo podre recheado por vermes esbranquiçados.
Obviamente, após alguns dias, o zelador notou que havia algo errado e chamou a polícia.
 O ladrão de tumbas fugiu de lá, então, imaginando que seria mais seguro.
Passou cerca de dois anos percorrendo cemitérios e comendo restos humanos, e nada mais...
Até que avistou ma jovem tão parecida com Anabeth, que sua velha raiva e frustração por conta da rejeição da jovem retornou a sua mente. Ensandecido, ele a matou. Ela foi encontrada na beira de uma estrada, dois dias depois.
Richard foi o encarregado da autópsia e, céus, disse-me que a menina estava deplorável. Faltavam-lhe as nádegas, os seios, partes consideráveis das coxas e da face...
A partir daí ele tomou gosto pela carne fresca, cheia de sangue ainda pulsante. Matou quatro jovens depois dela, antes que fosse apanhado.
Eu o vi, quando acompanhei Richard até a delegacia e, céus, ele próprio parecia um cadáver. Tinha fungos esbranquiçados em boa parte do corpo e seus dentes malcuidados estavam amarelos e cheios de cáries. Seus cabelos estavam longuíssimos e despenteados e deviam ser uma mina de piolhos.
Ele foi preso depois de confessar os crimes, sem parecer ter nenhum remorso, mas não ficou trancado por muito tempo e essa, eu diria é a parte mais detestável de sua história. Ele foi encontrado morto dos dias depois da prisão. Tinha comido partes da própria panturrilha e das coxas, dos braços...
Richard fez a autopsia dele e disse que se não fosse por ter se matado, ele provavelmente morreria logo por conta dos parasitas que tinha por toda a parte. Estava praticamente sendo comido de dentro para fora por eles. 

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