segunda-feira, 7 de junho de 2010

O retorno

O retorno

Estava estafado. Percorrera a cavalo, uma grande extensão de terras. Mais do que isso, lhe cansara a guerra. Não era um soldado por natureza e ter que deixar a esposa e a filha para trás, sabendo que talvez nunca mais as visse, não lhe fora agradável.
Agora que regressava a sua terra natal, ele sentia a paz voltando a sua alma com uma lentidão estranha. Quando se aproximou do vale entre as montanhas sombrias que guardavam a entrada da aldeia, seu cavalo começou a relinchar, inquieto.
Passado algum tempo, entendeu o motivo dos protestos do animal. Um cheiro de putrefação e mofo enchia o ar junto com a umidade da região pantanosa em que entraria em breve, depois de percorrer a vila.
A aldeia estava vazia, silenciosa, e isso lhe provocou calafrios.
Chegou aos pântanos, que ladeavam a precária estrada de terra, molhada e barrenta.
Nesse momento, sentiu um nó se fazer em seu estomago, vendo que ao longo do pântano boiavam os corpos dos seus vizinhos, os moradores da aldeia. Estavam inchados e azulados, cobertos pela lama, parecendo algum tipo bizarro de forma de vida flutuando no lodo. Vermes e lesmas gosmentos circulavam nas faces mortas, retirando da carne mofada seu próprio sustento.
Com uma náusea de medo e de choque, fez o cavalo correr depressa. Precisava saber se aqueles a que mais amava ainda lhe restavam.
Conforme se afastava, o cheiro nauseabundo de decomposição ia deixando suas narinas, sendo substituído pelo perfume da grama verde e molhada.
A beira da floresta parecia o retrato da paz e ele se perguntou se estaria tendo esperanças demais. A guerra chegara até ali sem que ele soubesse. Mas ele sabia como eram seus inimigos. Sabia de sua brutalidade e tinha medo.
Abriu a porta da cabana e deparou-se com a mulher, calmamente sentada ao lado da janela, enquanto bordava.
Sorrindo, ele a chamou e prendeu-a nos braços, perguntando a ela se fora até a aldeia nos últimos dias. Com sua negativa, ele se tranquilizou, ela nada vira, nem de nada soubera. Poderiam seguir suas vidas, sem pensar nos rostos mortos no pântano, nem em suas almas inquietas, perdidas no além, como se eles tivessem sido um sonho ruim e distante, junto com a guerra. Uma memória inconsciente que se apagaria de sua mente, rapidamente.

2 comentários:

Isa F. (Simbologia Maldita) disse...

Olá! O simbologia maldita esta de url nova:

www.simbologiamaldita.blogspot.com

Isa F. (Simbologia Maldita) disse...

E o Isa F. Blog morreu e virou The Black Element:

heblackelement.bloodtodeath.com