sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Viagem

Gente, essa semana minha internet ta tão ruim que não consigo nem ler meus e-mails direito, quando mais aparecer por aqui. =/ É complicado.
Então, o post de hoje fica bem simples, apenas com um conto escrito há alguns meses.

A viagem

Chovia intensamente na rodovia. As janelas do ônibus estavam sendo fustigadas por vários pingos, e boa parte deles acabava no interior do veículo, de forma que sentar na janela não era uma boa opção aos passageiros. Por isso, Regiane optara por sentar-se num dos bancos do fundo do ônibus, onde estava bem seca e tranqüila. Tentava ler um livro, mas a luz fraca e amarela piscava o tempo todo, tornando essa atividade complicada.
Por fim, desistiu da leitura e começou a observar as poltronas. Estavam quase todas vazias, já que a maioria dos passageiros tinha descido na rodoviária de São Francisco de Paula. Agora só havia sobrado ela e mais um passageiro, sentado alguns bancos à frente, além do cobrador, que conversava com o motorista lá na frente.
O outro passageiro pareceu notar isso. Levantou-se de seu lugar e foi até onde ela estava. Era um homem alto, com cabelo castanho ondulado e olhos azuis.
-Será que posso sentar aqui? Lá na frente está chovendo mais do que lá fora. – Ele perguntou tentando parecer despreocupado.
-Fique a vontade. – Ela respondeu docemente.
-Então... O que uma moça bonita como você faz sozinha num ônibus, num dia de chuva desses?
-Viaja. – Ela retrucou.
Ele riu de forma sonsa.
-E não tem ninguém esperando por você na rodoviária não?
-Não.
Ele continuou sorrindo, avaliando os traços da moça, que devia ter uns vinte anos e tinha cabelos ruivos na altura dos ombros, ondulados, emoldurando o rosto de traços delicados e pele clara, onde dois olhos verdes estavam incrustados como se fossem um par de esmeraldas.
“Hoje eu tirei a sorte grande...”, ele pensou, antes de se voltar para ela outra vez.
Cerca de meia hora depois, o ônibus chegava a sua última parada. O cobrador parou ao lado da porta, esperando que os dois últimos passageiros saíssem. A moça veio primeiro. Entregou a passagem, sorridente.
-Moça... Sua calça está suja. – Ele apontou para uma pequena mancha vermelha no topo da coxa dela.
-Ah... Pois é... Aqueles dias. – Ela fez uma careta.
-Ah... Desculpe. – Ele sorriu constrangido.
Ela seguiu em frente, dando passou largos pela rodoviária que já estava bastante escura.
O cobrador sorriu, observando ela requebrar sobre o salto alto. Não via uma mulher daquelas todos os dias.
Ainda sorrindo, ficou esperando o outro passageiro. Ficou ali alguns minutos e nada do cara aparecer.
“Droga, esse cara capotou aí atrás?”, pensou, aborrecido, seguindo para a traseira do ônibus, a fim de acordar o homem que, provavelmente, havia adormecido.
Chegou ao banco onde ele estava sentado, com a cabeça virada para o lado. Estava mesmo ferrado no sono, pelo visto.
-Hei, acorda, última parada. – O cobrador sacudiu o homem. A cabeça dele sacudiu molemente e o corpo caiu para o lado lentamente, revelando duas pequenas perfurações no topo do pescoço do passageiro e uma mancha de tamanho bastante considerável no lado esquerdo do peito.
Em estado de choque, o cobrador saiu do ônibus, disposto a encontrar um telefone público para ligar para a polícia.
Enquanto isso, Regiane chegava numa casa antiga, que estava aparentemente abandonada. Quando entrou e acendeu as luzes sentiu-se bem. Os móveis de madeira, antigos, davam um ar todo especial à sala de entrada.
Ela jogou-se no sofá, satisfeita e retirou do bolso um pedaço de carne vermelha, que já não pulsava mais. Sorriu, exibindo para a noite suas presas sujas de sangue. No fim das contas todos eles lhe entregavam não apenas o sangue que lhe fazia sobreviver durante décadas naquela eterna noite de sua existência, mas também o coração, que estaria guardado com ela até que não passasse de um monte de tecido putrefato, sendo comido por vermes e enfim transformado em nada... Como tudo um dia.

Beijokas e até mais.

6 comentários:

Carol disse...

Nossa, o que dizer? Ficou demais, Niki. Me lembrou Crepúsuclo OAIEOAIEOIAEO, tá realmente muito bom! Even more kisses :*

Niki disse...

Nããão. Crepúsculo não! Assim fico traumatizada, Caah... u.u
Thanks pelo coment, bjão.

Alissa-chan disse...

Excelente história,devo dizer que aprecio em geral histórias e fanfictions de vampiros,devo alegar que sua história deixou-me extremamente emocionada,pela realidade no qual é contada e pela emoção dos personagens, deixando em si,mais real.*tira óculos imaginario*
A história está MARAVILINDA n.n!!*0* AMEI,AMEI,AMEI!!!!MESMO!!!!!!!!!!!!Continue assim,e sempre terá comentários no teu bloginho fofo *^*,Bjitos e Cheetos,Alissa

Niki disse...

Obrigada, Alissa. Também adoro vampiros. Mas nada de Crepúsculo... Gosto é dos livros de Anne Rice, Bram Stoker e André Vianco. Obrigada pelos elogios. ^^
OBS.: Só pra nenhuma maluca me matar, não tenho nada contra Crepúsculo, o livro até se presta bem ao papel proposto, que é de um romance adolescente, mas não tá pra mim.

Bjos

Carol disse...

KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK, tadinha da Niki traumatizei ela. *Abraça* AUHSUAHSUAHSUAHUS, desculpa não sabia que vooc não gostava (:

Niki disse...

Tudo bem, Caah, acontece. É a liberdade de expressão ; )