sábado, 25 de março de 2017

Sobre a Maratona Skindô Skindô e o mês de março

Olá, pessoal! 

Estou devendo uma postagem sobre a maratona Skindô Skindô... O fato é que logo depois da maratona, aconteceram mil coisas e fui adiando a escrita desse post. Entre eventos sociais, trabalhos e problemas com meu computador, sempre surgiam motivos para me afastar da escrita. Como já faz mais de um mês desde a maratona, vou resumir bastante, apenas para não deixar passar em branco. 



Durante o feriado, conclui a leitura de A linguagem das flores (havia lido 18 páginas antes da maratona) e li as 20 páginas que faltavam para concluir a releitura de Literatura: leitores e leituras. Além disso, iniciei e conclui a leitura de três livros: Sonetos de amor e dasamor, Wolverine Origem II e Quem é o Pantera Negra?. Avancei um pouco nas leitura de O mestre das cordas e de Escrita - uma breve introdução (li aproximadamente 20 páginas de cada). Também iniciei a leitura de Labirinto, lendo 50 páginas, e a releitura de O cortiço, do qual li três capítulos. 

Em geral, a maratona foi produtiva, mas confesso que dessa vez me distrai bastante com outras coisas que precisava fazer. Ainda assim, consegui ler bastante e aproveitar bem as leituras feitas. Foi uma experiência menos intensa que a maratona de 12 horas de leitura, mas ainda assim, foi legal investir o maior tempo do feriadão em algo que gosto tanto. 

Outras maratonas virão, tenho certeza, só não sei quando. :) 

Afora isso, o mês de março foi de muito trabalho. Ainda estou me habituando com mudanças na minha rotina, agora que estou formada e estou com novas atividades no trabalho. Logo, logo, pretendo postar algum conto ou capítulo novo por aqui. 

Até a próxima! 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Maratona Skindô Skindô



Só tenho passado aqui para anunciar maratonas, não é? Este começo de ano foi mais atribulado do que eu imaginava!

Dia desses estava vasculhando o canal da Tatiane Feltrin e encontrei os vídeos de edições anteriores da maratona Skindô Skindô, que nada mais é do que uma maratona de leitura no feriado de Carnaval. Como eu devo me dedicar à leitura de qualquer forma, resolvi aderir à ideia e fazer a maratona.

Claro que essa maratona não será tão intensa quanto a de 12h, pois vou dormir e cumprir vários outros compromissos ao longo do feriado... Ainda assim, ter a meta da maratona deve me manter focada o bastante para ler muito nesses quatro dias de folga. O objetivo é dedicar o máximo possível de tempo aos livros.

Vou marcar o início da maratona como às 22h de hoje, 24/02. Quem quiser, pode acompanhar o andamento da maratona pelo meu Instagram: farei postagens esporádicas sobre os livros que estiver lendo, metas e sobre o andamento da maratona.

Indico assistirem ao vídeo da Tati, em que ela fala sobre a maratona dela deste ano! Vou acompanhar o progresso dela também.

Passado o feriado, passo por aqui para contar como foram as minhas leituras.

Bom feriadão a todos!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

[Mundo morto] Capítulo 2 - Mundo morto



CAPÍTULO 2 - MUNDO MORTO

Bea abriu os olhos e piscou algumas vezes até se situar. Estava espremida embaixo da escrivaninha do quarto. Fora ali que se escondera durante a tempestade, com Fuferson apertado debaixo do braço.

Arrastou-se para fora da toca, sentindo o silêncio que dominava a casa. Era como se a tempestade e tudo o que acontecera na noite anterior fosse um pesadelo, fruto de sua imaginação.

Seguindo pelo corredor, sentia um nó de receios em sua garganta. Quando chegou à sala, o enorme buraco no teto confirmou a realidade dos acontecimentos, junto com o rombo na parede, do qual ainda se penduravam algumas raízes secas.

Respirando fundo, Beatriz contornou os restos que se acumulavam pelo chão e pegou o controle da televisão. O aparelho não ligava, então era óbvio que a energia elétrica ainda não tinha voltado. Lembrou-se dos pais e correu até a garagem. Vazia. Provavelmente o temporal os obrigara a procurar abrigo e esperar, mas eles deviam ter ligado ou mandado alguma mensagem para ela.

Voltou para sala e vasculhou a bagunça até encontrar o celular. Nenhum registro de contato dos pais. A operadora estava sem sinal e a internet também não funcionava. Largou o aparelho inútil sobre o sofá.

Sentou-se no braço da poltrona, sem saber ao certo o que fazer. Raciocinou que o mais lógico seria procurar informações sobre o que tinha acontecido pela vizinhança. Alguém devia ter alguma notícia.

Porém, não estava preparada para o cenário de devastação que a aguardava fora de casa. Até onde iam seus conhecimentos sobre geografia, não aconteciam furacões no Brasil, mas não conseguia pensar em outra explicação para o que via. Árvores estavam reviradas, com as copas no chão e as raízes para o céu, várias casas estavam sem telhado e havia muito lixo na rua. Era como se um ancinho gigante tivesse revirado tudo ao seu redor. Sua própria casa parecia ser a única inteira e ela se perguntou se a coruja de raízes tinha algo a ver com isso.

Espantando os pensamentos ruins, Bea saiu para a rua, passando pelo portãozinho da frente. Tinha certeza de que as pessoas estariam procurando ajuda, haveria alguém. Mas assim que deu os primeiros passos, avistou alguém no chão. Correu até lá. Pelas roupas cor de chá, devia ser Dona Alma, que morava na casa em frente. Manchas vermelhas indicavam sangue.

Abaixou-se, ficando de joelhos, e virou a senhora, esperando que ela estivesse consciente. Antes de encarar o rosto, ela já sabia a resposta, mas a descoberta não foi menos terrível por isso. A face não estava apenas sem vida, mas cheio de formigas, que brotavam das cavidades onde antes havia olhos gentis.

Empurrando o cadáver para longe de si, Bea cambaleou e equilibrou-se apoiando as duas mãos no asfalto. Vomitou bile amarela e azeda por alguns instantes e se sentiu babar, como se estivesse sedada.

Depois de um minuto, limpou a boca com o dorso da mão e se levantou, tropeçando um pouco. Girando o corpo, tudo o que podia ver eram destroços.

-Alguém? Tem alguém aí? – o grito rasgou sua garganta e permaneceu sem resposta.

Seus olhos buscaram sua casa, como se fosse possível ela ter se desfeito nos breves instantes em que ela ficara fora. Como se fugisse de um fantasma, Bea correu para dentro do pátio, fechando o portão com pressa.

Assim que se viu na sala, avistou o pote de comida do gato. Sentiu um calafrio de pânico ao lembrar que ainda não o tinha visto pela manhã. Correu para os quartos, revirando cantos até ouvir um miado. Voltou para a cozinha e encontrou o bichano tranquilo sobre o micro-ondas.

Beatriz olhos nos olhos verdes e vivos do bicho e o pegou no colo. Sentou-se no chão de azulejos, aninhando-o ao peito, deixando lágrimas silenciosas rolarem por seu rosto. No mundo morto, parecia que só ela e o gato ainda respiravam.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

Corujandross - Como foi?

Olá, pessoas. 

Como expliquei numa postagem da semana passada, nesse final de semana ocorreu a maratona de escrita Corujandross, promovida pela editora Andross. Hoje vou contar um pouquinho sobre como foi a experiência, assim como fiz com a Maratona literária de 12h de leitura

Preparação e concentração (04/02)

Durante o dia, tirei dois cochilinhos para estar bem disposta à noite. Mais perto do horário, organizei minha mesa de trabalho, com tudo o que eu poderia precisar (netbook, luminária, caderno de rascunho, bloquinho de anotação, caneta e lápis, ... ). 



Entre 22h e 23h ocorreu o período de concentração, com muita conversa no grupo de Whatsapp destinado à troca de ideias, e nesse período aproveitei para pegar mais alguns materiais, ligar o computador, logar no que precisava, abrir o editor de texto, enfim, deixar tudo organizado. 

Produção 

Nas duas primeiras horas de maratona, me dediquei a escrever um texto romântico. Na primeira hora, comecei a primeira versão, mas após o primeiro intervalo, decidi seguir outro rumo e modifiquei a parte final do conto. 

Nas duas horas seguintes, trabalhei em um conto de temática medieval. Iniciá-lo foi um pouco mas trabalhoso, porque apesar de ter a ideia base, eu não tinha pesado muito em como estruturar o texto, então a primeira hora dedicada a ele foi investida em um pouco de pesquisa e em tentativas de iniciar. Na segunda hora, encontrei o foco que procurava e consegui terminar o conto. 

Terminado esse conto, eu tinha esgotado minhas metas e acabei me dedicando aos rascunhos de Mundo Morto e a dar continuidade a O Destino da Princesa, arrumando algumas indicações do beta e complementando algumas coisas. 

Pausas e momentos de interação 

Ter a interação com os organizadores e com o pessoal que estava produzindo foi muito legal. Esses momentos de descontração permitiam que a mente descansasse um pouco. A animação de todos era bem contagiante e foi muito bom poder conversar com os organizadores para tirar dúvidas sobre as antologias. 



Durante as pausas, também fui atrás de lanchinhos (tudo dentro da minha dietinha low carb) e muitooo café. 

Concluindo... 

Certificado que ganhei por ter participado do CORUJANDROSS — PRODUÇÃO NOTURNA INTENSIVA DE ESCRITA, realizado na madrugada de 4 para 5 de fevereiro de 2017. 


Participar da maratona foi legal pela interação e pela produtividade. Conegui escrever dois textos dos quais gostei bastante e vou submetê-los para publicação nas antologias (será que vai? hehe). Vai ser legal voltar a publicar depois de um tempo sem lançar nada. 

Se ocorrerem novas edições do evento, vou tentar participar novamente. :) 

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

[Mundo morto] Capítulo 1 - A coruja

Olá, minha gente. 

Hoje começarei a postar por aqui os capítulos de um romance que tenho desenvolvido para o Wattpad. Como nem sempre atualizo minha conta naquela plataforma, e nem todos acessam meus textos por lá, decidi postar essa história por aqui também. Além disso, eu acho muito mais prático postar no blog... Então é provável que, de agora em diante, eu poste aqui, antes de postar lá. 

Hoje deixo para vocês a sinopse e o primeiro capítulo. ;) 




Sinopse: Tecnologia avançando em ritmo acelerado, recursos do planeta próximos do esgotamento. O mundo todo está girando num fervo de industrialismo e progresso, que parece perfeito para a humanidade. 
Porém, esse progresso encontrará uma força poderosa, contra a qual não poderá lutar. 

Estranhos fenômenos sobrenaturais começam a acontecer pelo mundo. Árvores, animas e elementos da natureza parecem ter ganhado um propósito único: destruir a raça humana.  Não há recurso para lutar contra esses antigos poderes do mundo e enquanto a morte se espalha pelo planeta, a humanidade precisa encarar a destruição de sua criação e a chegada de uma nova era, na qual não lhe cabe mais o domínio do planeta.


CAPÍTULO 1 - A CORUJA


Sob a luz amarelada e bruxuleante das velas, era difícil se concentrar nos exercícios de química que precisava terminar. As chamas chacoalhavam com o vento, fazendo a iluminação dourada dançar pelo papel, sombreando as ordens das tarefas e as respostas em uma letra corrida e pouco elegante.

Beatriz suspirou, batendo com a parte de trás do lápis no caderno. Tinha que terminar aquela lista de questões para entregar na manhã seguinte, mas se sua vontade de estudar exatas já era pouca quando tinha energia elétrica, tinha se evaporado completamente naquela condição.

"Viu só? Você fica deixando as coisas para última hora, e é isso que acontece...", podia ouvir a voz de sua mãe, quase como se ela estivesse ali para repreendê-la. E por mais que odiasse admitir, a mãe estava certa. Sempre acabava atrapalhada com os trabalhos de escola.

Deu um pulo quando Fuferson saltou sobre a mesinha de centro, as pupilas dilatadas, dando um bote no lápis que ela ainda remexia. Soltou o instrumento, deixando o gato matá-lo com a ferocidade de um leão, enquanto observava.

Decidiu que não adiantava tentar estudar naquelas condições, especialmente quando um trovão alto fez a casa toda tremer. A tempestade passaria, a luz voltaria e então ela poderia terminar o trabalho.

Sua decisão fez com que se sentisse entediada. A internet não estava funcionando, porque o temporal era aparentemente feio e devia ter comprometido todas as fiações do bairro. Sem luz e com Fuferson como sua única companhia, ela não tinha muito com o que passar o tempo.

Pegou algumas revistas que estavam no balcão da cozinha, junto com um pacote de salgadinhos. Começou a comer enquanto analisava as reportagens com leve interesse.

Depois de alguns minutos, terminou com os petiscos e levantou-se para colocar a embalagem no lixo. Sentia-se inquieta, por alguma razão. Talvez fosse a tempestade, que começara há mais de uma hora e ainda estava feia, ou a demora dos pais. Será que estava tudo bem?

Descartou o plástico e ouviu um assoviar alto na rua. Abriu as cortinas, observando o vento carregar folhas com uma velocidade alucinante. Com um "crack" alto, a figueira do vizinho foi aspirada do chão e cuspida de volta, as grossas raízes desnudas da terra.

A visão era hipnoticamente fascinante, mas ao mesmo tempo aterrorizante. Em seus 16 anos, Beatriz nunca vira nada assim acontecer. Percebeu que colocara as duas mãos em frente à boca, tentando cobrir a própria expressão de susto diante da força da natureza.

Viu as telhas de barro do vizinho choverem sobre o muro que dividia o terreno e ouviu o telhado da própria casa lutando contra o vento que pretendia depená-lo. Os rangidos aumentaram, até que ela percebesse que parte do próprio telhado fora sugado pela força incontrolável.

Com um grito de susto pela percepção, foi até a sala e abraçou-se a Fuferson, tentando encontrar um lugar no qual pudesse se esconder até o pior passar. Tudo na casa rangia e chiava, como se de repente a madeira sólida não fosse mais que uma maquete de papel.

Na parede da sala, no entanto, o som começou a se tornar ensurdecedor. Algo arranhava o material por dentro, como a garra de um tigre. Bea sabia que alguns morcegos viviam ali, mas duvidava que pudessem fazer tanto barulho. No entanto, eles logo começaram a soltar guinchos de pavor e isso fez com que ela temesse o que mais podia haver oculto ali.

De repente, um pequeno buraco explodiu na parede, seguido por algo muito semelhante a um braço, que se estendeu para fora da parede, crescendo e se enraizando.

Ela sabia que devia correr, se esconder em algum lugar, mas ainda assim ficou com os pés plantados no tapete. Outros buracos como o primeiro foram surgindo, rasgando a parede e revelando aqueles tentáculos escuros. Logo eles se tornaram incontáveis e cresceram até o foro, destroçando-o como se não fosse nada.

Era como se uma bomba tivesse explodido, destruindo a parte superior da parede e teto. Logo Bea se sentiu molhar pela chuva, mas ainda estava paralisada. Seu coração parecia amarrado a uma bigorna.

Uma horda de morcegos em guinchos enlouquecidos deixou a nova abertura da casa, mas ela podia ver que havia outra coisa ali dentro. Com mais estalos e ruídos, novos daqueles fios foram surgindo. Vendo-os agora, pensou que pareciam raízes ou mesmo caules de trepadeiras crescendo anormalmente rápido. Só que aquelas braças não podiam pertencer a uma planta, era ilógico.

A realidade, porém, se mostrou bem mais bizarra e assustadora do que isso. O resto da parede se estraçalhou, conforme as linhas escuras foram se agrupando, ganhando corpo.

Em poucos minutos, havia tantas delas que Beatriz pensou estar contemplando a escuridão completa. No entanto, elas ganharam forma e duas enormes asas se abriram, como se fossem abraçá-la, sufocá-la. No meio da envergadura, um corpo grande sustentava dois olhos de uma tonalidade que ela jamais vira, mas que devia ser a cor do inferno.

Um relâmpago forte iluminou todos os contornos da criatura bisonha, enquanto soltava um grito agudo, que preencheu o ar em sintonia com um trovão. Uma ave. Enfim ela pôde identificar. A coisa era uma ave gigantesca, uma coruja.

Enquanto trocavam olhares, Bea sentiu lágrimas correndo pelo seu rosto, junto com a chuva. Estava com medo e não havia razão para negar isso. Aquele animal medonho inalava morte e destruição. No entanto, depois de um curto segundo de olhares trocados, a coruja remexeu suas asas, soltando as raízes que a prendiam ao chão e ao que restava da parede. Como um demônio que levanta do inferno, ela alçou voo na noite, gritando em coro com os trovões.

Bea despencou no chão, ainda mirando o buraco que até poucos minutos antes fora parte de sua casa. Que tipo de pesadelo era aquele?