quarta-feira, 12 de abril de 2017

Maratona Coelhinho Letrado



Olá, pessoal. Já disse que este é um ano de maratonas? Simplesmente adorei minhas experiências maratonísticas... E o que mais me agrada nelas é que me organizo para ler coisas que estão paradas na minha estante há tempo e me faço desafios para ler estilos e gêneros variados. Por isso, vou continuar maratonando até enjoar ou esgotar meus livros (sonha que isso vai acontecer algum dia...).

Minha próxima empreitada será uma maratona de Páscoa, que chamarei doravante de Maratona Coelhinho Letrado. É, eu sei, o melhor nome de maratona. :) Iniciarei os trabalhos na quinta-feira, 13/04, à noite, concluindo na manhã do dia 18/04, terça-feira. Isso porque, além da Sexta-feira Santa, tenho um feriado municipal na segunda, tendo um dia a mais para aproveitar meus livros.

Assim como na Skindô Skindô, o objetivo não é ler ininterruptamente, mas alternar a leitura com outras atividades do feriado, dedicando o máximo possível de tempo à leitura.

Você pode acompanhar meu progresso pelo meu Instagram, onde farei postagens contando e mostrando minhas leituras, assim como nas maratonas anteriores. Também terá postagem, contando como foi, na próxima semana.

Desejo a todos uma ótima Páscoa, cheia de chocolates, livros e reflexão.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

O Estranho da Rua

Fonte da imagem: DeviantArt

Aconteceu no ano passado. Chuviscava, eu estava com o guarda chuva. Saí do trabalho e fui até a farmácia. Lá, flagrei que alguém me observava, mas não dei atenção. Fechei a cara, comprei o que precisava e segui meu caminho, rumo à academia.

Percebi que alguém seguia atrás de mim na calçada. Fiquei atenta, pois não havia muita gente na rua àquela hora da tarde.

Em um momento, após uma esquina, o sujeito me interpelou: "Com licença moça, você tem namorado?". A pergunta, vinda assim, de um estranho e no meio da rua, me deixou confusa e meio sem reação, então respondi automaticamente "Sim, eu sou casada". "Ah... Bem, você é muito bonita", ele respondeu. Ainda sem reação, agradeci e me concentrei em caminhar.

Minhas pernas começaram a ganhar velocidade, caminhando quase correndo, na incerteza do que fazer. Meu pulso acelerou, meu instinto me mandava ir mais rápido, chegar logo a um local onde eu poderia me ver à salvo. Fiquei tensa.

O rapaz continuava atrás de mim e ao perceber a minha reação, disse algo como"Moça, não estou te seguindo, tah? Só moro por aqui".  Não fiquei mais tranquila.

Quando cheguei à academia, ele me desejou uma boa tarde e devo ter balbuciado uma resposta. O incômodo da situação foi passando. Aquele acontecimento foi bem estranho e fiquei pensando a respeito mais tarde, e me sentindo até meio boba. 

Como pessoa que sempre caminhou muito, eu já ouvi muitas coisas nojentas e bizarras de homens na rua, desde o começo da adolescência (e não sou exceção). Mas esse sujeito que me interpelou na rua foi educado, cortês. Nem mesmo se aproximou. Não me propôs nada, não encostou em mim, não foi desrespeitoso. Mas eu tive medo dele. Tive medo de que ele me puxasse pelo braço, de que eu não pudesse fugir e de que ninguém fosse me ajudar. 

Sinto muito, Estranho da Rua, que as coisas tenham que ser assim. Não é nada pessoal. Eu gostaria que todos os homens fossem educados como você foi, que fizessem um elogio polido e que não insistissem quando alguém diz que já tem um relacionamento, não está interessada ou que não insista em conversar se a outra pessoa não está a fim. Mas não são. Nós sabemos disso. Ouvimos relatos de amigas ou conhecidas, lemos notícias e assistimos a vídeos sobre como muitas vezes coisas ruins acontecem porque tem gente que não sabe ouvir um "não" ou acha que está agradando sendo estúpido. E é por isso que, mesmo que não haja nenhum indício de que há más intenções, a gente tem medo. Medo de ser mulher e andar na rua, em plena tarde, porque não sabe o que pode acontecer se um estranho ficar muito tempo olhando pro nosso lado ou nos dirigir a palavra. 

***

N/A.: A inspiração para escrever essa crônica surgiu pouco depois de eu assistir ao filme As sufragistas. Não tenho o hábito de escrever crônicas, então agradeceria muito se você, leitor, comentasse o que achou. ;) Quem sabe eu me inspire a escrever outras crônicas, sobre outros temas?! Se você quiser, pode sugerir algum. Obrigada por ler! 

sábado, 25 de março de 2017

Sobre a Maratona Skindô Skindô e o mês de março

Olá, pessoal! 

Estou devendo uma postagem sobre a maratona Skindô Skindô... O fato é que logo depois da maratona, aconteceram mil coisas e fui adiando a escrita desse post. Entre eventos sociais, trabalhos e problemas com meu computador, sempre surgiam motivos para me afastar da escrita. Como já faz mais de um mês desde a maratona, vou resumir bastante, apenas para não deixar passar em branco. 



Durante o feriado, conclui a leitura de A linguagem das flores (havia lido 18 páginas antes da maratona) e li as 20 páginas que faltavam para concluir a releitura de Literatura: leitores e leituras. Além disso, iniciei e conclui a leitura de três livros: Sonetos de amor e dasamor, Wolverine Origem II e Quem é o Pantera Negra?. Avancei um pouco nas leitura de O mestre das cordas e de Escrita - uma breve introdução (li aproximadamente 20 páginas de cada). Também iniciei a leitura de Labirinto, lendo 50 páginas, e a releitura de O cortiço, do qual li três capítulos. 

Em geral, a maratona foi produtiva, mas confesso que dessa vez me distrai bastante com outras coisas que precisava fazer. Ainda assim, consegui ler bastante e aproveitar bem as leituras feitas. Foi uma experiência menos intensa que a maratona de 12 horas de leitura, mas ainda assim, foi legal investir o maior tempo do feriadão em algo que gosto tanto. 

Outras maratonas virão, tenho certeza, só não sei quando. :) 

Afora isso, o mês de março foi de muito trabalho. Ainda estou me habituando com mudanças na minha rotina, agora que estou formada e estou com novas atividades no trabalho. Logo, logo, pretendo postar algum conto ou capítulo novo por aqui. 

Até a próxima! 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Maratona Skindô Skindô



Só tenho passado aqui para anunciar maratonas, não é? Este começo de ano foi mais atribulado do que eu imaginava!

Dia desses estava vasculhando o canal da Tatiane Feltrin e encontrei os vídeos de edições anteriores da maratona Skindô Skindô, que nada mais é do que uma maratona de leitura no feriado de Carnaval. Como eu devo me dedicar à leitura de qualquer forma, resolvi aderir à ideia e fazer a maratona.

Claro que essa maratona não será tão intensa quanto a de 12h, pois vou dormir e cumprir vários outros compromissos ao longo do feriado... Ainda assim, ter a meta da maratona deve me manter focada o bastante para ler muito nesses quatro dias de folga. O objetivo é dedicar o máximo possível de tempo aos livros.

Vou marcar o início da maratona como às 22h de hoje, 24/02. Quem quiser, pode acompanhar o andamento da maratona pelo meu Instagram: farei postagens esporádicas sobre os livros que estiver lendo, metas e sobre o andamento da maratona.

Indico assistirem ao vídeo da Tati, em que ela fala sobre a maratona dela deste ano! Vou acompanhar o progresso dela também.

Passado o feriado, passo por aqui para contar como foram as minhas leituras.

Bom feriadão a todos!

domingo, 19 de fevereiro de 2017

[Mundo morto] Capítulo 2 - Mundo morto



CAPÍTULO 2 - MUNDO MORTO

Bea abriu os olhos e piscou algumas vezes até se situar. Estava espremida embaixo da escrivaninha do quarto. Fora ali que se escondera durante a tempestade, com Fuferson apertado debaixo do braço.

Arrastou-se para fora da toca, sentindo o silêncio que dominava a casa. Era como se a tempestade e tudo o que acontecera na noite anterior fosse um pesadelo, fruto de sua imaginação.

Seguindo pelo corredor, sentia um nó de receios em sua garganta. Quando chegou à sala, o enorme buraco no teto confirmou a realidade dos acontecimentos, junto com o rombo na parede, do qual ainda se penduravam algumas raízes secas.

Respirando fundo, Beatriz contornou os restos que se acumulavam pelo chão e pegou o controle da televisão. O aparelho não ligava, então era óbvio que a energia elétrica ainda não tinha voltado. Lembrou-se dos pais e correu até a garagem. Vazia. Provavelmente o temporal os obrigara a procurar abrigo e esperar, mas eles deviam ter ligado ou mandado alguma mensagem para ela.

Voltou para sala e vasculhou a bagunça até encontrar o celular. Nenhum registro de contato dos pais. A operadora estava sem sinal e a internet também não funcionava. Largou o aparelho inútil sobre o sofá.

Sentou-se no braço da poltrona, sem saber ao certo o que fazer. Raciocinou que o mais lógico seria procurar informações sobre o que tinha acontecido pela vizinhança. Alguém devia ter alguma notícia.

Porém, não estava preparada para o cenário de devastação que a aguardava fora de casa. Até onde iam seus conhecimentos sobre geografia, não aconteciam furacões no Brasil, mas não conseguia pensar em outra explicação para o que via. Árvores estavam reviradas, com as copas no chão e as raízes para o céu, várias casas estavam sem telhado e havia muito lixo na rua. Era como se um ancinho gigante tivesse revirado tudo ao seu redor. Sua própria casa parecia ser a única inteira e ela se perguntou se a coruja de raízes tinha algo a ver com isso.

Espantando os pensamentos ruins, Bea saiu para a rua, passando pelo portãozinho da frente. Tinha certeza de que as pessoas estariam procurando ajuda, haveria alguém. Mas assim que deu os primeiros passos, avistou alguém no chão. Correu até lá. Pelas roupas cor de chá, devia ser Dona Alma, que morava na casa em frente. Manchas vermelhas indicavam sangue.

Abaixou-se, ficando de joelhos, e virou a senhora, esperando que ela estivesse consciente. Antes de encarar o rosto, ela já sabia a resposta, mas a descoberta não foi menos terrível por isso. A face não estava apenas sem vida, mas cheio de formigas, que brotavam das cavidades onde antes havia olhos gentis.

Empurrando o cadáver para longe de si, Bea cambaleou e equilibrou-se apoiando as duas mãos no asfalto. Vomitou bile amarela e azeda por alguns instantes e se sentiu babar, como se estivesse sedada.

Depois de um minuto, limpou a boca com o dorso da mão e se levantou, tropeçando um pouco. Girando o corpo, tudo o que podia ver eram destroços.

-Alguém? Tem alguém aí? – o grito rasgou sua garganta e permaneceu sem resposta.

Seus olhos buscaram sua casa, como se fosse possível ela ter se desfeito nos breves instantes em que ela ficara fora. Como se fugisse de um fantasma, Bea correu para dentro do pátio, fechando o portão com pressa.

Assim que se viu na sala, avistou o pote de comida do gato. Sentiu um calafrio de pânico ao lembrar que ainda não o tinha visto pela manhã. Correu para os quartos, revirando cantos até ouvir um miado. Voltou para a cozinha e encontrou o bichano tranquilo sobre o micro-ondas.

Beatriz olhos nos olhos verdes e vivos do bicho e o pegou no colo. Sentou-se no chão de azulejos, aninhando-o ao peito, deixando lágrimas silenciosas rolarem por seu rosto. No mundo morto, parecia que só ela e o gato ainda respiravam.