quinta-feira, 19 de abril de 2018

Por veredas livremente literárias (ou porque ler)



O texto a seguir foi pensado inicialmente como um exemplo para uma produção textual que pedi aos meus alunos. A ideia era que eles escrevessem uma redação defendendo os livros e a leitura, porque estamos lendo Fahrenheit 451, livro distópico que retrata uma sociedade extremista que baniu os livros. Junto com a argumentação, eles deviam usar um livro de literatura para justificar algum dos argumentos. Fiz o exemplo para demonstrar como o exemplo podia ser incluído no texto, mas gostei tanto que  decidi compartilhá-lo aqui também. :) 

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Por veredas livremente literárias
(ou porque ler)

Escolha ... A escolha é tudo. A percepção de que nós temos a escolha em cada situação unica de vida e de responder, é o empoderamento ao mais alto nível. Escolhendo a partir de uma tela em branco o que queremos criar,é ainda mais capacitação, e se eu tenho um desejo de novo ano para a humanidade, esse é que tudo o que venhamos a apreciar , seja o incrível amor e bondade que todos nós somos capazes de gerar e transmitir. Bênçãos de Paz. Jornada para o Equilibrio



Contar histórias é uma atividade tão humana e tão antiga que remonta aos tempos anteriores ao registro escrito. Sabemos que nossos ancestrais contavam histórias, das quais temos registro até hoje, que buscavam explicar fenômenos do mundo. Com o avanço científico e tecnológico, muito daquilo que os mitos e lendas antigas tentavam esclarecer foi explicado de forma racional. No entanto, não perdemos o hábito, nem a necessidade, de ouvir e contar histórias. 

Se a ficção não nos explica mais os fenômenos naturais, existem outras questões do mundo que só ela tem poder de ensinar. Os livros, repositório do conhecimento humano de séculos, nos apresentam a trajetória do pensar, como um compilado histórico das ideias que já foram adotadas pelos diferentes povos. Por meio deles, nos deparamos com temáticas atemporais, assuntos que sempre preocuparam a humanidade, como a morte e os sentimentos. Para além do que é racional, esses temas ainda hoje nos desacomodam, pairam sobre nós e precisam ser decifrados. No tecido de palavras das narrativas e poemas, encontramos matéria para resolver nossos medos e dúvidas inconscientes, nos deparamos com nossos sentimentos mais profundos. Prova disso é que autores tão antigos quando Homero ainda são lidos, apreciados, destrinchados. Mortos há séculos, continuam nos dizendo muito sobre quem somos nós, agora. 

Muito mais do que resolver nossos próprios conflitos, a literatura nos permite olhar o outro, exercitar a empatia. Nos tempos de discurso de ódio e extremismo em que estamos, tal movimento é essencial. Tanto histórias atuais quanto antigas podem nos transportar para a visão de outros, mas, para ilustrar esse movimento, poucas obras são tão ricas quanto a de Guimarães Rosa, autor mineiro que soube como ninguém reinventar a linguagem. Em seu Grande sertão: veredas, o autor nos coloca na pele de Riobaldo, um ex-jagunço, que narra suas aventuras, seu amor reprimido por seu amigo Diadorim e sua relação com a espiritualidade. O leitor sente-se o próprio Riobaldo durante a leitura. E sente-se também gado manso do Sertão, Diadorim, Joca Ramiro e muitos outros. O livro tem o poder de nos dar a visão de terceiros sobre o mundo, de compreender que nossa percepção do mundo não é a mesma que a dos outros. 

Os livros são a forma que encontramos de levar adiante nossas histórias. Pouca diferença faz se são feitos de papel, ou se podemos acessá-los em uma biblioteca digital. Sua matéria-prima real são as palavras e o sentimento humano. Eles são a ferramenta mais eficaz para termos conhecimento do mundo, assim como criticidade para entender as situações. Ensinam-nos a pensar de formas diferentes, mostram que o mundo nem sempre é perfeito, fazem sentir dores, amores e viver situações que nunca poderíamos experimentar na vida real. Com isso, instrumentalizam para encarar a realidade de forma crítica, questionando e pensando sobre os fatos do mundo. 

É fato que o papel do livro enquanto construtor do ser humano e formador de seres pensantes incomoda aqueles que desejam que a população permaneça ignorante. Afinal, quem não tem conhecimento de si mesmo, do mundo, nem consegue ver uma situação de diferentes pontos de vista, pode ser facilmente manipulado a acreditar em toda a informação que recebe como verdade absoluta. Por isso, governos extremistas, ditadores e pessoas desejosas de poder caçam livros e leituras, assim como as outras possibilidades de estimular o pensamento. Em nossos tempos, de discursos de ódio numerosos e extremismos, os livros são mais necessários do que nunca. A leitura, nesse mundo que tanto busca nos direcionar, é um exercício que possibilita, mais do que o pensamento crítico, a liberdade maior de ser quem quisermos ser.

domingo, 11 de março de 2018

Projetos para 2018



Tá bem, eu sei que já passou aquele período do ano em que as pessoas fazem resoluções para o restante do ano, mas a gente tem o direito de planejar o futuro quando bem entender, não é verdade? O começo deste ano me fez ruminar muito sobre alguns dos meus projetos. Era fato que eu não conseguiria manter todos eles atualizados, então precisei pesar um pouco as coisas e decidir como manter minha sanidade em meio a trabalho, casa e outras coisas que eu gostaria de fazer. 

Por conta disso, decidi me retirar do Enlaces Literários, do qual participava desde 2014. Foi uma delícia participar do projeto e tive a oportunidade de escrever textos dos quais gostei muito graças ao blog. No entanto, a dinâmica dele estava se tornando inviável pra mim, por conta de compromissos pessoais e de trabalho. Me despeço cheia de alegria por ter tido chance de participar e torço para o projeto continuar lindo e cheio de textos bacanas. Meu último texto por lá foi Trem fantasma

Também organizei tudo para voltar a publicar semanalmente minhas resenhas no Portal 42, porque já fazia um tempo que estava parada por lá! Retomei as postagens na semana passada (com a resenha de Deuses Americanos) e espero manter a periodicidade. 

Outra intenção é finalizar de uma vez o meu romance (a escrita dele por si só já está uma novela de enrolação, afinal) e pensar sobre a melhor forma de publicá-lo. Parte da minha resolução sobre os projetos de 2018 foi por conta disso, quero dedicar mais energia a essa história para conclui-la. 

Já tenho uma publicação planejada, também, em um livro que reunirá texto de autoria de autoras do Vale do Paranhana, região do Rio Grande do Sul em que eu moro (a foto que ilustra o post foi feita para o projeto pela escritora e fotógrafa Ana Cláudia Sá). Esse livro será muito especial, por reunir o trabalho de pessoas muito queridas e talentosas, então estou muito feliz e orgulhosa de poder fazer parte disso. 

Por fim, em relação às minhas leituras, planejo fazer novas maratonas para ler ainda mais do que no ano anterior. A próxima deve ser na Páscoa, quando terei um feriadinho. 

E, claro, vou tentar manter esse cantinho atualizado (mas nada impede que ocorram meus habituais sumiços... hehe). Não desistirei. :) 

Até a próxima! 

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Publicações de 2017

No ano passado, participei da publicação de duas antologias de contos da Andross editora: Sem mais, o amor e Baladas medievais. Como ainda não havia falado muito sobre os livros aqui no blog, decidi montar esse post para comentar um pouquinho sobre eles com vocês.

Meus textos para os dois livros foram escritos durante a primeira edição do Corujaandros, uma maratona de escrita que ocorreu na madrugada dos dias  (você pode conferir aqui minha postagem sobre o evento).

Meu trabalho em Sem mais, o amor se chama Amor literário e conta um romance não muito convencional que tem início a partir de uma visita a um sebo em um dia de chuva. Confira abaixo a "cara" do livro e a sinopse.



SINOPSE: Fernando Pessoa já dizia que “todas as cartas de amor são ridículas”. E afirmava veementemente: “não seriam cartas de amor se não fossem ridículas”. Mesmo não vivendo o suficiente para conhecer novas tecnologias de comunicação, o poeta sabia bem que a interação verdadeira entre duas pessoas que se amam se despe de vaidades e apresenta a pureza de um sorriso. SEM MAIS, O AMOR é uma coletânea de contos românticos em forma de cartas, emails, páginas de diário e outras formas de registro escrito. E o mais importante: são histórias ridículas! Exatamente como o poeta disse que tinham de ser.

Já na antologia Baladas medievais, publiquei um conto intitulado Os cavaleiros são todos tolos. Para escrevê-lo, me inspirei na novela de cavalaria Amadis de Gaula, pegando os nomes de alguns personagens e algumas referências da obra. O meu objetivo foi brincar com a visão de uma princesa sobre os feitos de seu cavaleiro. Veja a capa do livro e a sinopse:



SINOPSE: Na Idade Média, menestréis cantavam histórias populares ao som de alaúdes, narrando aventuras sobre cavaleiros, damas, amores e coisas insólitas, como dragões, magia e criaturas místicas. Esse tipo de música era chamada de balada. Agora, muitos séculos depois, escritores contemporâneos se aventuram em criar histórias que se passem naquela época mágica, resgatando o espírito vivo das baladas medievais.

Ainda tenho exemplares dos dois livros para vender e as informações para compra seguem abaixo.

Valor de cada exemplar: R$30,00 (frete incluso)
Valor para compra dos dois livros: R$50,00 (com frete incluso)
Brindes: marcadores de página e dedicatória.

Como comprar? Entre em contato comigo pelo e-mail ninasiebel@gmail.com ou pelo Facebook

sábado, 27 de janeiro de 2018

Como foi a Maratona Literária de Verão (#JornadaMLV)

Encerrou hoje, às 0h, a Maratona Literária de Verão da qual participei. Foram duas semanas de leituras e compartilhei um pouco dos meus progressos no Instagram, mas agora vou resumir aqui um pouco da experiência. 



Em maratonas longas como essa, já percebi que minha tendência é oscilar entre dias extremamente produtivos em relação à leitura e momentos em que me dedico a outros interesses (e tarefas, porque tenho uma casa para manter e até semana retrasada eu ainda estava trabalhando um turno ). Por mais que eu ame ler, preciso dar uma respirada entre leituras. Por isso, não acho que as maratonas mais longas sejam uma experiência tão intensa quanto as maratonas de 12h ou 24h, ou de alguns dias. Parece que o grande prazo delas deixa a gente mais relaxado.

E, ainda por cima, tive vários acontecimentos nesses dias! Meu sobrinho nasceu, a irmã dele ficou entre a minha casa e a dos meus pais por uns dois dias (como as casas ficam no mesmo terreno, dá no mesmo hehe) e foi uma delícia curtir e brincar com ela (mesmo que eu tenha cansado pra caramba), minha gatinha de estimação foi castrada, ... 

Mesmo assim, fiquei bem feliz com a quantidade e a qualidade das minhas leituras nesses dias. Consegui ler todos os quatro livros que tinha atribuído para a maratona e ainda li mais um livro completo e metade de um outro. Vamos ao saldo e aos comentários sobre as leituras.  


Deuses americanos - Neil Gaiman (574 páginas)
Escolhido para cumprir o desafio "Ler um livro de um autor popular", Deuses americanos foi o primeiro título que li na maratona. Acabei devorando as páginas, porque estava curiosa pelo desfecho da trama. Já havia assistido a série da Prime Video que adapta o livro, então tinha algumas informações e foi muito interessante comparar as duas mídias. Aliás, apesar de serem bem diferentes, as duas versões me agradaram muito. 
Neil Gaiman sempre me surpreende pela sua criatividade ao combinar elementos improváveis em seus enredos e construir histórias impares. 



O retrato do artista quando jovem - James Joyce  (238 páginas)
James Joyce é considerado um dos grandes autores da literatura mundial e o peso de sua obra me fez selecionar seu livro para o desafio "Ler um livro que você sempre teve medo de ler". Comecei a leitura paralelamente com Deuses americanos e foi o livro que demorei mais tempo para ler, como eu já imaginava que fosse acontecer. Levei uma semana e meia para chegar ao fim de O retrato do artista quando jovem e ainda estou digerindo minhas impressões. Gostei muito das duas primeiras partes do livro, mas a partir da segunda metade, há trechos mais cansativos. Sigo gostando da escrita de Joyce e pretendo ler mais obras dele em breve.



Escola de equitação para moças - Anton Disclafani (333 páginas)
Para cumprir o desafio "Ler um livro comprado em uma promoção", Escola de equitação para moças foi a minha leitura. Super envolvente, a narrativa me deixou curiosa para descobrir os mistérios da protagonista. Não sabia o que esperar desse livro, e fiquei feliz por ter encontrado uma trama completa e questionadora sobre os limites das convenções sociais e o autoconhecimento. 



Academia Knightley - Violet Harbedasher (415 páginas)
Academia Knightley se provou uma leitura deliciosa de entretenimento. É um infanto-juvenil no melhor estilo Harry Potter (troque a escola de magia por uma de cavalaria), com personagens que estão numa fase meio crianças e meio adolescentes e enfrentam o preconceito e o elitismo para encontrarem seu lugar no mundo. O título cumpriu o desafio "Ler um livro que, aparentemente, só você conhece" e fiquei torcendo para mais pessoas conhecerem a história, que é bastante divertida. 



A sereia - Kiera Cass (323 páginas)
Depois de concluir minha lista de desafios, optei pela leitura de A sereia, um livro que pra mim tinha cara de verão. Ao comprar esse livro, há algumas semanas, fiquei na dúvida se gostaria dele. Li os três primeiros livros d'A Seleção e minha opinião sobre a estrutura da história ficou bem negativa depois do último volume da trilogia. Mas, para ser justa, lembrei da fluidez da escrita da autora e do quanto foi gostoso ler os volumes iniciais da série, então dei uma chance a esse título único (ainda bem!). Encontrei exatamente o que esperava: uma história fofa e leve, gostosa de ler. Ideal para as férias, valeu a pena investir nele, afinal. 

Cartas a um jovem professor - Leandro Karnal (76 páginas lidas)
Ainda deu tempo de iniciar a leitura do livro do Leandro Karnal, que queria muito ler antes do final das férias. Já assisti a uma palestra desse professor e muitas de suas ideias me agradam. O livro me surpreendeu por seu uma leitura rápida, apesar de trazer várias dicas e reflexões interessantes sobre a minha profissão. Devo terminar a leitura nos próximos dias. 

TOTAL DE PÁGINAS LIDAS: 1959. 

Seguirei com as minhas leituras e em breve farei mais maratonas... Em fevereiro tem a Skindô-Skindô, maratona criada pela Tati do TLT, da qual devo participar de novo. Antes disso, talve eu decida fazer alguma maratona curtinha, para aproveitar as férias. Também espero aparecer por aqui com novos contos ou outros textinhos. 

Até mais! 

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Primeira maratona do ano

Olá, pessoal!

Entre os dias 13/01 e 27/01 ocorrerá a Maratona Literária de Verão do canal Geek Freak, à qual vou aderir. Confira a apresentação da maratona no canal:



A maratona deste ano desafia os leitores a se dividirem entre dois reinos: Galtero, o reino dos guerreiros e vikings, e Arcania, o reino dos magos. Cada grupo tem quatro desafios literários diferentes para tentar cumprir na maratona. Eu escolhi realizar os desafios do reino de Galtero, que estão abaixo, junto com os livros que escolhi para cumpri-los.




• Ler um livro de um autor popular: Deuses americanos - Neil Gaiman

Neil Gaiman é um autor de que gosto bastante e estou bem ansiosa para conferir Deuses Americanos (inclusive, ele é um dos 12 livros que marquei como meta de leitura para 2018).

• Ler um livro comprado em uma promoção: Escola de equitação para moças - Anton Disclafani
Comprei por uns dez golpinhos na Feira do Livro de Porto Alegre do ano passado e estou curiosa para conferir a história.

• Ler um livro que, aparentemente, só você conhece: Academia Knightley - Violet Harbedasher
Outra compra de Feira do Livro de POA, mas não me lembro mais se de 2015 ou de antes. Assim, faz um bom tempo que esse livro está na minha estante e nunca ouvi ninguém falar sobre ele, nem vi em nenhum canal literário ou blog que acompanho. Espero gostar da leitura.


• Ler um livro que você sempre teve medo de ler: O retrato do artista quando jovem - James Joyce

Não tenho medo de nenhum livro em especial, mas como James Joyce é um autor muito bem conceituado e já li Dublinenses, tendo gostado muito, tenho receio de não gostar de algum de seus livros. Por isso, esse livro se enquadrou nessa categoria (e porque eu não tinha nada mais que pudesse encaixar aqui...então tive que dar um jeito). 

Como escolhi alguns livros bem substanciosos, não vou acrescentar mais nada na minha lista de leituras. Se terminar esses livros, escolho outros na minha estante, conforme a vontade bater: o importante é ler muito nessas duas semanas de maratona.

Quem quiser acompanhar meus progressos, pode seguir minha conta no Instagram, na qual posto o andamento das leituras, ou pelo Twitter (@nicole_siebel). No final da maratona, também deve ter postagem aqui contando como foi.

Então, é isso aí, espero que todos que participarão da maratona leiam muito e aproveitem!